[Review] Sherlock, T04E03: The Final Problem

SPOILERS! SPOILERS! SPOILERS!

Chegamos ao final de uma das maiores séries dos últimos tempos. Após 13 episódios, Sherlock se encerra de modo digno, e se esse não foi o fim definitivo, foi ao menos o fim de um ciclo e a consolidação daqueles personagens.


O problema final tratou exatamente daquilo que esperávamos após o fim do episódio anterior, The Lying Detective: o passado de Sherlock e sua misteriosa irmã. Eurus fora mantida "prisioneira" pelo irmão mais velho, Mycroft, devido à sua alta inteligência e caráter psicopata, em uma ilha chamada Sherrinford. Mesmo fugindo dos contos de Conan Doyle, a série ainda usa referências para nos enganar até que a verdade fosse revelada. 

As respostas não demoraram a surgir, logo no início temos o prazer de colocar Mycroft na cadeira dos clientes para que Sherlock e John peguem seu caso. É claro que, antes disso, nos divertimos um pouco na casa do Holmes mais velho, onde o detetive o fez uma bela armação. Mas o cenário é todo Sherrinford, é pra lá que todos vão, usam disfarces e enfrentam o mais difícil jogo até aqui. 

O transtorno de personalidade de Eurus permite que ela brinque com todos ao seu redor, inclusive Mycroft. Todas as difíceis tarefas que a irmã determina para John, Sherlock e Mycroft só provam o que Sherlock nunca soube, que ele é o mais esperto dos três, ainda que Mycroft e Eurus possam ser mais inteligentes. Suas emoções o permitiram salvar Molly, John e os próprios irmãos. Foi a conclusão ideal para provar o quão forte é nosso protagonista. É ele quem reúne a família ao final do dia, seja sua real família (pais e irmãos), seja sua família do dia-a-dia na Baker Street (John, a bebê Rosie, Mrs. Hudson, Molly e Lestrade).


Mycroft é, definitivamente, um dos pontos altos do episódio, passando de decepção (por ceder Moriarty à Eurus) a herói (por estar disposto a se sacrificar por John). A tão esperada cena do "I love you", vista nos trailers, quase teve as teorias certas. Sherlock realmente teve que escolher entre atirar em John ou Mycroft e escolheu a si mesmo. Porém, mais uma vez Molly foi deixada de lado (ela não contava, lembram do final da segunda temporada?). Era para ela que Sherlock deveria declarar um amor, amor de amigo, de reconhecimento. Um bom fechamento para uma personagem tão importante.


E por falar em fechamentos de personagens importantes, Greg Lestrade teve o seu, aos 45 do segundo tempo. Sempre ajudando a encerrar os casos, o detetive-inspetor reconheceu o bom homem que Sherlock se tornou, que ele desejou lá no primeiro episódio da série. Emocionante!


A única decepção da história foi o vilão máximo de toda a saga de Sherlock, Jim Moriarty. Eurus teve sua ajuda para planejar toda a tensão que foi esse episódio, mas 5 anos atrás (que pela cronologia da série, deve ser na época em que Irene Adler estava presente na vida de Sherlock). Mesmo morto, Moriarty nos presenteia com uma daquelas entradas que só ele sabe fazer. Que personagem inesquecível! Gosto de pensar, entretanto, que o mistério sobre sua morte pode ser uma carta na manga dos escritores caso a série volte um dia.


Outro ponto fraco do episódio foi a resolução do caso Redbeard. Seria bem mais convincente se Eurus tivesse matado de fato o cachorro de Sherlock na infância, ao invés do melhor amigo, mas entendo que a referência foi necessária para que o detetive pudesse, dessa vez, salvar seu melhor amigo, John Watson.

Não podemos deixar de comentar as excepcionais atuações desse elenco monstruoso. Benedict Cumberbatch (Sherlock), que sem dúvida merece prêmios por essa temporada; Martin Freeman (John Watson) que emocionou mais que o esperado; e a revelação Sian Brooke (Eurus Holmes), que nos aterrorizou por 90 minutos constantes e ainda se passou por várias pessoas diferentes antes disso.

Os momentos finais não poderiam ser diferentes: Sherlock Holmes e John Watson de volta ao 221b para solucionar crimes. É isso que eles fazem, é quem eles são, assim como nos contos dos livros de Conan Doyle. A narração de Mary foi uma bela homenagem e um fechamento para nós, os fãs.

É claro que ficaram pontas soltas, mínimas, mas ficaram, especialmente nessa quarta temporada com o terrível primeiro episódio (Mary jamais merecia aquela morte fraca). Mas dentre 13 episódios, tivemos muito mais sucessos do que fracassos. Sherlock conseguiu ser uma série memorável, uma adaptação que respeita as origens e é original ao mesmo tempo. Deixa sua marca no hall das melhores séries e termina bem, não no auge, mas de modo digno. O auge e os melhores episódios sempre serão aquela segunda temporada, com Irene Adler e Jim Moriarty em seu melhor momento. Mas antes terminar agora do que prolongar mais e estragar algo que não merece ser estragado.



Obrigada, Sherlock! (2010-2017)
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