[Review] Sherlock, T04E02: The Lying Detective

SPOILERS!

Após uma estreia bem estranha, Sherlock retoma o bom ritmo e a velha parceria do detetive com John Watson para "The Lying Detective", cujo vilão é Culverton Smith, interpretado por Toby Jones.


Com fotografia, roteiro e direção bem melhores do que "The Six Thatchers", da semana passada, o segundo e penúltimo episódio da temporada começou direto ao ponto: John ainda bravo com Sherlock pela morte de Mary, que pelo visto está mesmo morta. Para a velha amizade ser retomada, Mary deixou instruções à Sherlock em um vídeo, o mesmo de que vimos alguns trechos no primeiro episódio.

A primeira metade do episódio, bem confusa, traz além de John a introdução de dois personagens: o vilão Smith e sua suposta filha, Faith. A ruiva intriga logo de cara, tornando-se mais tarde um dos maiores ganchos da série. O episódio de 90 minutos pareceu um tanto enrolado, com cenas prolongadas desnecessariamente, como a chegada de Sherlock, John e Smith ao hospital. A ansiedade por algumas respostas ou por um pouco de clareza (a overdose de Sherlock acaba por nos atingir também) só aumentava o nervosismo.

Smith, prometido como um dos maiores e mais aterrorizantes vilões da série até então, incomoda, mas não chega a causar um grande impacto. Desprezível, o personagem acaba por servir apenas como um plot para que John e Sherlock voltem a se falar e desabafar um com o outro.


Mas é na segunda metade que "The Lying Detective" cresce. Por mais que Toby Jones tenha trazido uma ótima atuação, o episódio foi todo dos protagonistas: Freeman (John) e Cumberbatch (Holmes) entregaram suas melhores performances nesse episódio. Sherlock, seja nas loucuras de suas cenas "chapadas" ou na emoção de uma conversa honesta com John; e este, ao descarregar sua confissão para o amigo e para a falecida esposa ao final. Tocante ao extremo, o trabalho ainda foi complementado com a simples e pontual participação da Amanda Abbington, como Mary. E não é de se surpreender, afinal, os personagens sempre foram o ponto forte da série.


Com a trama de volta aos eixos, ainda com a leve decepção da estranheza de "The Six Thatchers" não ter sido explicada (tudo aconteceu exatamente como vimos?), a misteriosa mulher se revela. Após ter flertado com John, se passado de vítima para Sherlock como a filha de Smith e de terapeuta para Watson, Mrs. Hudson e o próprio detetive, ficamos conhecendo a terceira irmã Holmes, Eurus. É ela quem se disfarça de Faith Smith, no primeiro ato do episódio, passando uma noite vagando pelas ruas com Sherlock e se escondendo de Mycroft (a real filha de Smith não tem nada a ver com a história). Segundo ela, um "amigo em comum" a colocou em contato com Culverton Smith, o que culminou nos eventos do episódio. Mais alguém apostando que esse amigo é Moriarty?

Não poderia deixar de mencionar o "retorno" de Irene Adler. Ao final do episódio, uma mensagem da "Mulher" chega para Sherlock, na certa um cumprimento pelo aniversário (6 de janeiro é de fato aniversário do personagem de Conan Doyle). Sabíamos que ela saiu viva da trama na segunda temporada graças à Holmes e hoje descobrimos que eles mantém contato.

A mensagem do episódio fica resumida em uma única palavra: humano. Com Sherlock assumindo cada vez mais sua humanidade e nos mostrando que todos (John, Mycroft) não são perfeitos, apenas humanos, ficamos com um dos maiores ganchos de toda a série para o próximo episódio. Qual o objetivo de Eurus? O que fará Mycroft e qual a ligação da irmã com o governo britânico? O que ou quem é Sherrinford? E estará Moriarty realmente por trás de tudo? 

São muitas perguntas a serem respondidas em apenas 90 minutos. Espero que consigam!

               

Em tempo: já podemos entregar o troféu de heroína da temporada para a Mrs. Hudson, não?
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