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[Review] Sherlock, T04E01: As Seis Thatchers

REVIEW REPLETA DE SPOILERS!

Mind-blowing. Assim podemos definir o retorno de Sherlock, seja para o bem ou para o mal. Dividindo opiniões no mundo todo, a estreia da quarta temporada (01/01/17), que alcançou cerca de 8 milhões de espectadores segundo a BBC, trouxe muito mais perguntas do que respostas, além de muitas lágrimas, de risos e choros.



A série foi retomada exatamente de onde parou lá em 2014, quando Sherlock mata Magnussen e, a caminho do exílio, é obrigado a voltar já que Moriarty reaparece nas TVs do país todo. Não nos esqueçamos do especial de 1 ano atrás, A Noiva Abominável. Assim, estamos lidando com um Sherlock altamente drogado que, com a ajuda de seu irmão Mycroft, se livra da acusação de assassinato. O detetive consultor está livre e a espera de Moriarty.

Enquanto isso, o casal Watson (foco do episódio) divide a rotina entre cuidar da bebê Rosie e se aventurar com Sherlock nos casos cotidianos. A primeira metade do episódio é bem leve, cheia de cenas divertidas e um caso intrigante: bustos de Margareth Thatcher estão sendo destruídos por motivos até então desconhecidos.


O caso leva Sherlock a crer que alguém está procurando uma pérola sumida dentro dos bustos (the black pearl, mencionada várias vezes no episódio). Porém, ele acha algo totalmente inesperado dentro do último busto: o pen drive que traz tudo sobre a vida passada de Mary (o mesmo que vimos em "Seu Último Juramento", T03E03). É então que entra a segunda metade do episódio, polêmica até o último take, onde Sherlock passa a ser um coadjuvante, para dar o protagonismo à Mary e John Watson.


Acontece que Mary fazia parte de um grupo de mercenários (A.G.R.A.), que já tinha trabalhado para o governo britânico (assim, Mary e Mycroft já se conheciam). Um dos seus ex-parceiros volta para se vingar, querendo matá-lo, assumindo que ela havia traído o grupo. Porém, quem na verdade traiu foi uma funcionária do governo, uma recepcionista, que vemos rapidamente no início do episódio. Além disso, temos o estranho plot de John, que conhece uma misteriosa mulher no ônibus e aceita seu número de telefone. Seria realmente com ela que Watson troca mensagens no meio da noite? Teorias sugerem que é um código, que ele troca mensagens com o próprio Sherlock. Eu já penso que ele estaria falando com a irmã (mencionada desde o piloto, nunca vimos). A saudade descrita na rápida conversa não indica que seria com a mulher do ônibus. Aliás, ainda sobre esse desenvolvimento, reparem no easter-egg do ponto de ônibus: o homem da propaganda é o ator Toby Jones, que pelo trailer já sabemos, é o vilão da temporada, mais especificamente do segundo episódio (T04E02).


Outros easter-eggs surgem no episódio a todo momento. O aquário e os tubarões poderiam ser uma referência ao vilão da temporada passada, Charles Augustus Magnussen, que Sherlock compara com um tubarão. A água aparecendo a todo momento também nos remete ao primeiro encontro entre Sherlock, John e Moriarty, em uma piscina. Ao final do episódio, temos a enigmática cena de Mycroft chegando em sua casa e telefonando a Sherrinford, ao ver o número 13° na geladeira. 13° é o número do episódio que será a season finale (T04E03), levando a crer que tal personagem aparecerá no terceiro episódio. Sherrinford é o suposto terceiro irmão Holmes, de acordo com algumas histórias fora dos contos de Doyle. É também um nome que o clássico autor pensou em dar ao protagonista Sherlock. Pois é, façam suas apostas.


Por fim, os momentos derradeiros: Mary é morta pela funcionária do governo ao salvar a vida de Sherlock. A cena, um tanto forçada e com atuação fraca de Martin Freeman, está dividindo opiniões. Teria ela morrido de fato? Ou é mais um truque, como o do próprio Sherlock ao final da segunda temporada? Por que ninguém presente ali reagiu? Mycroft, Lestrade... o próprio Sherlock ficou imóvel. 

Mas claro, o mistério maior recai sobre o vídeo que Mary gravou antes de ser morta (e que foi entregue à Sherlock por quem? Mycroft talvez?). Mary pede a Sherlock que proteja John, que o salve. O médico culpa o amigo pela morte da esposa e simplesmente desaparece. Na cena pós-créditos, Mary diz a Sherlock, ainda no vídeo, para "ir ao inferno" ("go to hell, Sherlock"). Depois de toda essa amizade, um xingamento? Não poderia ser tão simples. Na verdade, há um lugar na Noruega chamado "Hell", o mesmo país que Mary passa no início de sua jornada que culmina nos acontecimentos em Marrocos. Seria um código, uma dica? Teria algo a ver com Moriarty? Além do dvd que Mary gravou estar escrito "Miss me", a marca do grande vilão, que como ela disse, foi apenas para chamar a atenção de Sherlock, Moriarty foi o único personagem até hoje a ganhar uma cena pós-créditos.


Há quem diga, ainda, que todo o episódio não passou de um imenso Mind Palace (palácio mental) de Sherlock, ainda passando pela overdose que vimos em A Noiva Abominável. Será que os autores exageraram? Por que vários personagens, especialmente John, estavam tão diferentes de si mesmos (out of character)? Pisaram na bola após 3 temporadas? Ou é tudo parte de um plano maior? Ainda temos 3 horas para descobrir, 1h30 de cada episódio restante, e que pode ser a última temporada da série (ainda não há confirmações sobre isso). Por falar em confirmações, Steven Moffat, um dos escritores da série, em entrevista para a Entertainment Weekly, disse que Mary está mesmo morta. Dá pra confiar?

Abaixo você confere o trailer do próximo episódio, exibido pela BBC One no domingo, 8 de janeiro. Qual sua teoria? Boa sorte para nós nessa longa semana!


              

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