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A Segunda Temporada de Daredevil: O que é ser herói? [Review]

Com spoilers!



Poxa, passou rápido. A tão difícil espera pela nova temporada de Daredevil acabou e, em tão pouco tempo, já começa novamente. A Netflix e a Marvel continuaram brilhantemente o trabalho dessa série, um dos maiores sucessos da plataforma de streaming, juntamente com o andamento do Universo Marvel, entre cinema e TV. A segunda temporada de Daredevil trouxe personagens extremamente aguardados, fez jus à censura de 18 anos, mas falhou em somente um ponto: quis unir histórias demais em escassos 13 episódios.

Vamos do início. A temporada começou com o mesmo ar que finalizou a primeira, leve, com o trio Matt, Foggy e Karen em paz, junto ao sucesso tanto da firma de advocacia, quanto do herói noturno de Hell's Kitchen. Obviamente que essa época passaria logo, mas acertaram em cheio as cenas de descontração. Matt e Foggy definindo o perfeito "bromance", seja nas ruas ou na Josie's, e Matt e Karen finalmente dando uma chance um ao outro. Foi um ótimo contraponto para Karen, que teve na primeira metade da temporada somente um papel fraco, de mocinha vivendo romance, para depois sobreviver aos dias alucinantes ao lado de Castle, deixando a firma e consolidando sua carreira jornalística. Não é preciso dizer que seu lado obscuro é muito melhor.

Os quatro primeiros episódios são como um grande filme, é possível vê-los tranquilamente sem grandes problemas, em um ritmo emocionante. As cenas introdutórias do Punisher são justamente o que se esperava, porradaria e muito sangue. Além disso, nos é passado a sensação de familiaridade cada vez que Fisk era citado, para explicar a ascensão das diversas gangues pela cidade. As cenas de luta continuam no mais alto nível, especialmente as filmadas em plano-sequência, tendo inclusive a repetição da icônica cena do corredor do episódio 1x02. 

Com a apreensão temporária de Castle, a Marvel introduziu perfeitamente o tema da Guerra Civil (Capitão América 3, dia 28 de abril nos cinemas brasileiros), para aqueles que ainda desconhecem a trama. Até que ponto um "justiceiro" é herói? O governo deve prender essas pessoas ou deixar que elas façam "justiça" com as próprias mãos? Destaque para a citação de Jessica Jones em uma cena dessa temporada. Ficou claro que o Daredevil é #TeamCap.

Eis que no episódio 2x05, a história toma outro rumo com a entrada de Elektra, ex-namorada de Matt. Sem dúvida um dos melhores episódios da temporada, nos contou precisamente o que precisávamos saber sobre o casal (que também aproveita para opor o romance Matt e Karen), que traz um lado totalmente novo para nós de nosso protagonista. Excelente roteiro e atuação da Elodie Yung, que conseguiu trazer uma personagem apaixonante em cerca de 50 minutos. Foi diferente de Castle, que consegue ganhar alguma simpatia apenas ao final da temporada, mesmo com sua história bem contada (e que lembra muito o recente filme American Sniper).


Sucesso de temporada até aqui, cenas cada vez melhores entre Daredevil e Elektra ou nos discursos de Foggy na corte. Quando temos o retorno de Stick é que tudo se complica, ao mesmo tempo em que são geniais as conexões com a primeira temporada da série. Temos o tema deste ano finalmente definido: o arco da guerra que Stick havia mencionado lá no ano passado, quando o conhecemos. Temos Nobu de volta e, além dele, ninguém mais ninguém menos que Wilson Fisk, em uma cena de tirar o fôlego quando surge na prisão para falar com Castle. Estamos presenciando o nascimento do famoso Fisk, o "Kingpin" ("Rei do Crime"). E claro, deve ser destacada a nova cena do corredor, versão Punisher, quando este aniquila os detentos que serviam o antigo manda-chuva da prisão. Puro sangue, um prato cheio para quem curte a pancadaria.

É nesse ponto que a temporada, a meu ver, falhou. Havia muitas tramas em jogo ao mesmo tempo: Punisher, Fisk, Nobu, Stick, Elektra. Ainda que toda essa gente esteja ligada, de um jeito ou de outro, foi muita informação lançada sem folga para o público, algo que uma temporada de formato "normal" de TV (cerca de 20 episódios, 1 a cada semana) poderia trabalhar melhor. É fato que o formato Netflix de menos episódios com mais qualidade funciona, mas no caso dessa temporada de Daredevil, poderia ter sido melhor. De qualquer maneira, isso não tirou a grandiosidade da série, que merece todos os méritos por ter mantido uma segunda temporada ao nível da primeira.

Agora com todos os plots quase juntos, aquele momento de "luta final" chegou em cima da hora, só podendo ser sentido no 2x12. Até então, tinha-se a impressão de que não poderiam resolver tudo em 13 episódios. E o round final começou bonito, com Nobu, Stick, Elektra e Daredevil entre revelações (Black Sky), ninjas e torturas. 

Aliás, que sacada sensacional a de colocar os inimigos do Daredevil como ninjas de quem não se pode ouvir os batimentos cardíacos. A bola já tinha sido levantada no comecinho da temporada, quando Matt perde temporariamente a audição após o quase tiro na cabeça que tomou do Punisher (cena de fortíssima e intensa atuação de Charlie Cox, trabalho de primeira!), assim como quando ele e Elektra encontram os ninjas pela primeira vez no grande buraco e ela dá a dica para se atentar ao som das espadas.

E então, chegamos ao 2x13. Assim como na primeira temporada, o melhor episódio foi o último. E danem-se os muitos personagens e as muitas tramas, aqui o foco é um só: Matt e Elektra, o casal definitivo (já podem até competir com os Underwood, de House of Cards). Teve luta, teve romance, teve morte e teve cenas pontuais de Stick e Punisher, precisos e sem estragar a essência do episódio. Acredito que faltou apenas uma atuação mais dramática de Cox na "morte" de sua amada, mas talvez o Matt saiba, no fundo, que realmente não é o fim (ela mesma alertou). Destaque para a aparição da advogada de Jessica Jones, com quem Foggy irá unir-se profissionalmente e para a tradição dos novos uniformes em últimos episódios (Elektra, Punisher e o novo aparato de Daredevil).


Excelente episódio, excelente temporada. A Marvel é mestre em introduzir seu Universo nas muitas histórias que conta e em partir do realista para o "impossível", como foi o misticismo dessa segunda temporada, que já havia começado a engatinhar na primeira, com Stick e Madame Gao. Quem acompanha Agent Carter também sabe do que se trata. A temporada abordou muitas coisas, tanto que na certa deixei de mencionar pontos interessantes, como a Claire, as cenas perturbadoras do grupo de Nobu, entre outros. Resta aguardar a terceira temporada, mas antes dela, o filme da Guerra Civil, o filme de Dr. Strange e as temporadas de Luke Cage e Jessica Jones.

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