Sherlock: A Noiva Abominável [Review]



Aconteceu de novo. A cada 2 anos, desde 2010, somos levados aos Palácios Mentais de Sherlock Holmes, seus casos quase impossíveis, o senso de humor e os coadjuvantes sempre carismáticos. Nesse 1° de janeiro de 2016, foi um pouco diferente.

O especial A Noiva Abominável resolveu levar Sherlock e John de volta às origens: o século XIX. E se são referências que o povo gosta, são referências que Gatiss e Moffat trazem! A começar pelo ano, 1895, o número de leitores do blog de John visto no 2x01, que travou e que Sherlock tentou, sem sucesso, utilizar para desbloquear o celular de Irene Adler. O momento que eles se conhecem, através de Mike Stamford, tudo exatamente igual ao piloto da série. A abertura de época, a amizade e história consolidadas, no ponto em que paramos ao fim da terceira temporada: Watson publicando suas histórias, Holmes famoso, Mary e John casados... não foram poucas as referências ao próprio mundo da série, sem falar, é claro, às muitas outras referentes as obras de Conan Doyle. Foram vários os contos misturados dentro de um único episódio.

Mas o episódio em si, definido em uma palavra, é como todos os outros: surpreendente. Para quem achava (e quem não achava) que esse especial seria exclusivamente no século XIX, deve ter caído da cadeira ao ver o avião. Porém, voltemos um pouco para alguns detalhes. A começar pelo próprio caso da noiva, suicídio com uma arma na boca, soa familiar? Aliás, que delícia matar a saudade das cenas em que Sherlock se transporta para a cena do crime, aqui mostrada quando Lestrade conta o caso da noiva no 221B. Temos então Mycroft...bem acima do peso! Surpresa? Ou não devemos lembrar de como Sherlock sempre pegou no pé do irmão sobre seu peso, ou sua vontade de bolos e doces? Agora estamos vendo tudo (não apenas o caso) pelos olhos do Holmes caçula. A gota d'água veio quando Mycroft disse "o vírus no sistema". Pronto, estávamos definitivamente ainda ligados a série dos tempos modernos.

Moriarty ressurge (os "YOU" escritos em sangue também já haviam dado a dica) e tira Sherlock de seu palácio mental. Estamos exatamente onde a série dos deixou, 2 anos atrás: o avião de Sherlock volta a terra após Moriarty reaparecer em todo o Reino Unido. Miss me? O ponto do episódio está finalmente claro: trata-se de uma continuação direta do que, pessoalmente, considero o melhor episódio da série, A Queda de Reichenbach (2x03), quando Jim Moriarty comete suicídio na frente de Sherlock.


O resto do caso, assim, é evidente: uma metáfora para desvendar o mistério de Moriarty. Sem faltar criatividade! O tema das mulheres foi muito bem posto, e ainda pudemos descobrir que Mary trabalha para Mycroft! Daqui para frente, o que mais se ressalta são as atuações de Cumberbatch (Sherlock) e Scott (Moriarty). A cena na cachoeira (referência direta ao conto O Problema Final) foi o ponto alto para ambos; mesmo morto, Moriarty vive mais do que nunca na mente de Sherlock. A trilha foi encaixada brilhantemente, aumentando as emoções enquanto trazia o gostinho familiar da série. E, mais uma vez, o detetive pôde contar com seu aliado infalível, John Watson.

Acabada a overdose, a dúvida sobre o status de Moriarty continua, porém agora com uma ideia bem mais clara de como ele fez naquele dia, no alto do prédio. Quanto aos métodos de Sherlock na queda... "elementar, meu caro Watson".

A Noiva Abominável foi um especial perfeito para suprimir nossa ansiedade (ou aumentá-la ainda mais) durante o atraso da quarta temporada. A transição ideal entre as temporadas, afinal, foram apenas 5 minutos entre Sherlock ser alertado da volta de Moriarty e sua aterrissagem para reassumir o caso, ao lado de John, Mary e Mycroft. Repleto de momentos divertidos, o especial corta o tema musical dos créditos para ainda surpreender, unindo o século XIX ao XXI na cena final. Só nos resta aguardar, e infelizmente, o ano está só começando.


A quarta temporada começa a ser filmada em abril e ainda não há confirmação sobre a data de estreia.

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