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Todo mundo deveria ver The Newsroom [Especial]



Personagens cativantes. Essa é uma característica vital para qualquer série. Personagens carismáticos ou não, algum deles tem que conquistar o telespectador que acompanhará sua história por, ao menos, uma temporada. Desde Lost (2004-2010) que eu não sentia um carinho tão imenso por um grupo de personagens, como senti esse ano ao ver The Newsroom. A série da HBO, que foi ao ar de 2012 a 2014, mostrando os bastidores de um telejornal estadunidense, teve de tudo: grandes histórias, grandes debates e polêmicas, fatos da vida real...mas tudo brilhantemente passado através de personagens (e seus respectivos atores) incríveis.

A série é criação do polêmico Aaron Sorkin. Você provavelmente já viu algum trabalho dele, como os filmes A Rede Social (2010), Questão de Honra (1992) e O Homem que Mudou o Jogo (2011). Porém, acredito que The Newsroom seja sua grande obra. Roteiros brilhantes, que crescem ao longo das temporadas. A primeira cena do piloto, da palestra na universidade, já lança para o público o nível que será a jornada (veja ao final do texto). Os diálogos inteligentes e rápidos trazem o telespectador rapidamente para a história, envolvendo-o e fazendo-o pensar sobre o assunto, seja lá qual for. Mas é claro que tais roteiros e diálogos não seriam nada se não fosse pelo grandioso elenco da série.

Jeff Daniels é o protagonista Will McAvoy. O eterno parceiro de Jim Carrey em Debi e Lóide (1994) surpreende dando vida a um âncora que se vê desafiado por uma produtora (que também é sua ex-namorada) a renovar o telejornal, sair do comodismo e entregar notícias de verdade à população. Assim, ambos partem na empreitada de fazer do "News Night" um jornal crítico, ousado, que seja uma espécie de "serviço-público" para o cidadão dos EUA. As três temporadas são guiadas pela ideia de Dom Quixote, da luta contra os moinhos de vento. Na verdade, a segunda temporada é a mais fraca e o grande idealismo por trás do jornal é deixado de lado para perseguir uma história sobre crimes de guerra dos EUA. Já a primeira e última temporadas são de emocionar e empolgar, tanto nas histórias a serem reportadas no dia a dia quanto na história de cada jornalista envolvido no processo, tanto profissionalmente quanto em suas vidas pessoais.

Todos os personagens são fortes e têm seus momentos para brilharem. Will e Mac (a fofíssima Emily Mortimer), o casal de protagonistas, brilham o tempo todo (embora Will permaneça um tanto quanto apagado durante a segunda temporada). Charlie, meu predileto, é o alívio-cômico da série, assim como a razão dela, brilhantemente interpretado pelo veterano Sam Waterston (o Jack McCoy de Law & Order). Os coadjuvantes também empolgam, mesmo que, no início, alguns irritem, casos de Maggie Jordan (Alison Pill) e Don Keefer (Thomas Sadoski), que no final já são tão amáveis quanto os outros. Adorei conhecer os ótimos John Gallagher Jr, dando vida a Jim Harper, e Olivia Munn, representando a imbatível Sloan Sabbith. Não posso deixar de mencionar o gracioso Dev Patel (protagonista de Quem Quer Ser um Milionário - 2008) trazendo o nerd e esforçado jornalista Neal Sampat, além das participações pra lá de especiais da sempre diva Jane Fonda como a dona do canal de televisão, Leona Lansing. Cada um traz sua história pessoal, seus sucessos e dificuldades, suas relações amorosas e, ao fim, todos tiveram crescimentos estrondosos dentro da série. Não demora a perceber que muito mais do que colegas de profissão, esses indivíduos formaram uma família. Clichê? Talvez. Mas em meio a tantas séries emocionalmente pesadas recentemente, que me deixavam/deixam com um ar de negatividade sobre o ser humano (me refiro às também ótimas Breaking Bad, House of Cards e Homeland, por exemplo), ter uma hora totalmente positiva na minha semana dentro daquela redação me fazia maravilhas (não importa o quão estressados estavam os personagens). Me fez, na sua última temporada, chorar de emoção.


Quem nunca chorou com um personagem? Com uma morte inesperada? Pois é, The Newsroom trouxe tudo isso em seus episódios finais, tendo no 3x05, seu penúltimo episódio, o melhor da série. Um roteiro genial, surpreendente, e acompanhado de uma trilha sonora emocionante. O 3x06, último episódio da série, igualmente emocionante, mas um tanto quanto previsível. No entanto, Sorkin se utilizou de um recurso nesse último episódio do qual sou fã: aquele link direto com o piloto da série. Os flashbacks perfeitamente inseridos mostraram uma espécie de "pré-piloto", o desenrolar de acontecimentos que se deram antes do primeiro episódio da série, e que deram origem as histórias e jornadas dos personagens. É claro que suas histórias não terminaram, aliás, me mata de curiosidade imaginar como continuariam suas vidas, mas acredito que a série durou exatamente o que deveria durar. Foi a medida exata, e só me arrependo de não ter acompanhado enquanto foi ao ar.

Por isso, recomendo altamente que veja o quanto antes quem ainda não viu. Além de ser uma série fantástica pelos personagens, sua atualidade é trabalhada de modo brilhante e crítico (às vezes você vai querer levantar do sofá e discutir moral e política com Sorkin), e vendo os episódios hoje, com certeza será bacana relembrar fatos ocorridos nos últimos anos, como as denúncias de espionagem de Snowden e os atentados terroristas de Boston. Quando terminei a série, uns meses atrás (queria ter escrito esse texto na época), e enquanto enxugava minhas lágrimas, pensei que todos deveriam ter essa experiência. The Newsroom é, provavelmente, uma das melhores séries dos últimos anos, e entrou facilmente no meu Top 5 de melhores séries de todos os tempos. Coloque na sua lista, são apenas 3 temporadas, a última com apenas 6 episódios. Vai valer a pena!


Em tempo: Jeff Daniels está indicado a melhor ator em série dramática esse ano pela última temporada de The Newsroom (competição difícil, já que dois de seus concorrentes são Frank Underwood, digo, Kevin Spacey, por House of Cards e Bob Odenkirk, o Saul/Jimmy de Better Call Saul).

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