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House of Cards: — 3ª Temporada


Com spoilers


Francis Underwood pode até cair, mas vai demorar. 

Ele subiu, chegou ao cargo mais poderoso do mundo, sem ao menos ter ganho sequer um voto. Mentiu, matou, fez de tudo para estar lá, agora, com o poder em suas mãos e poucos meses garantido na Casa Branca, Underwood tenta de toda a maneira se manter no poder, e foi nisso que se baseou a terceira temporada de House of Cards. Sensacional, talvez, definiria a nova temporada da série.

Se Francis irá cair ou não, pouco importa. O mérito da série sempre foi mostrar o lado sujo que é a política e o que muitos fazem para se manter no poder; toda a artimanha política; conspirações; enfim. Isso sustenta a série e uma queda precoce (e improvável) do presidente, está fora de cogitação, por enquanto.

Mas essa queda não seria apenas a perca da eleição de Underwood. Para ele cair, mesmo, seria apenas com sua morte, pois a obstinação, competência e vigor do político iria mantê-lo sempre em guerra, e a perca de batalhas não seria o fim do mundo para ele. Mas Underwood segue firme, vencendo batalhas, com soldados competentes ao seu redor, mas a perca de seu "general" no fim da temporada poderá causar graves problemas.


Clarie, linda loira, linda morena, da mesma forma persuasiva, competente e ambiciosa. Sem ela, Francis não teria chegado à Casa Branca, fato, e agora ficou provado que a Primeira Dama é peça fundamental para mantê-lo lá. Claire deixou o poder subir pra cabeça, ser a Primeira Dama sempre foi seu sonho, mas chegando lá, isso não bastava mais. Esteve dentro da política comandada por seu marido, exigiu o cargo de Embaixadora, mas, com problemas nesse percurso, causados por seu bom coração e por seu impulso, culminou em sua queda, fazendo com que voltasse ao seu posto original, que agora trazia insatisfação.

Francis no poder, com o partido deixando claro que não o apoiaria nas próximas eleições, fez com que ele bolasse um plano para iludir a população, tirando dinheiro do orçamento de onde não podia para gerar empregos a todo custo, uma iniciativa que o daria bagagem para se reeleger. A temporada foi brilhante em mostrar problemas reais americanos, como tornados, relações internacionais, enfim, dando originalidade e significância ao fracasso do programa eleitoreiro de Underwood.

Acontece que, usando de sua genialidade política, Francis usou de sua derrota para "justificar" sua eleição, e o America Works tornou-se programa base para a eleição, mas apenas ele não seria suficiente, ainda mais pela vitória, parcial, ocorrida. Claire foi peça preponderante para isso, e ela sabia disso. Os pequenos problemas entre o casal se tornaram gigantes, embates sensacionais foram vistos, a prepotência e arrogância do presidente, acrescentado da ambição de Claire, dentre outros fatores, fizeram com que, na última cena da temporada, a relação chegasse ao fim. 


Paralelamente acompanhamos os passos de Doug, fantástico personagem que teve grande notoriedade nessa temporada. Pensávamos que tinha morrido, por Rachel, mas sua reabilitação, atrelado à sua reabilitação política, tornaram a temporada ainda mais empolgante. A busca incessante por Rachel, que gerou um fim comovente para a jovem; sua parceria com o hacker Gavin e a persuasão de ludibriar a oponente Heather Dunbar, foram pontos altos da temporada, gerando empolgação na resolução desse núcleo.

Estranho e interessante como ficamos empolgados, eu pelo menos, com as atitudes de Francis e Doug. São atitudes deploráveis, porém, nesse ponto, a série faz com que torçamos para eles, mesmo com toda a sujeira em suas mãos. Ninguém quer ver a queda de Francis, ninguém quis que Doug estivesse morto, e provavelmente isso nunca aconteça na série.

O lado da imprensa foi re-inserido, felizmente, na série. Após a morte de Zoe Barnes, esse núcleo ficou um pouco esquecido, mas teve grande destaque e impacto nessa temporada. A inserção do personagem Thomas Yates, com a iniciativa do presidente de escrever um livro eleitoreiro, serviu para abrir um grande leque de opções para a trama, que gerou embates importantes entre Clarie e Francis; a relação de Thomas com a jornalista, enfim, outro grande acerto da temporada.

Treze episódios muito bem produzidos, falar tecnicamente da série é chover no molhado, elenco fantástico, enfim. A temporada foi mais tranquila de acompanhar, esteve mais organizada do que as anteriores, gerando fácil entendimento, e claro, empolgando com mais facilidade o telespectador. 

A Netflix disponibiliza a temporada a temporada inteira de uma vez só, mas é muito melhor assisti-la com calma, degustando todos os momentos. Diferente das duas primeiras temporada, que assisti-las praticamente no mesmo dia de suas estreias, resolvi acompanhar a nova temporada com mais calma, e considero a melhor opção para assisti-la. 


Mas faltou "socos na mesa", uma mania marcante de Francis que foi literalmente abandonada nessa temporada, sem explicação alguma. Acho que não houve uma sequer cena, salvo engano, mas de qualquer forma deixaram isso de lado, talvez porque a fase de Francis não foi de tantas comemorações assim. Apenas uma observação, nada demais, porém, torço para que volte, faz parte do personagem. 

Excelente temporada, excelente série, não tenha dúvidas que dará à série indicações a prêmios, como as temporadas anteriores deram, mas dessa vez, não será nenhuma surpresa se a série sair-se vencedora, pois definitivamente entra para o hall das melhores séries da atualidade.

Avaliação:
*****

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