As Primeiras Impressões de Better Call Saul


"É melhor chamar Saul!" Mas não agora.

Foi o que nos disse as primeiras impressões de Better Call Saul, spin-off de Breaking Bad centrado em Saul Goodman. E digo isso pela última vez. Ao apresentar a série ao longo dos meses que antecederam sua estreia, natural detalhar informações do que ela se tratava, porém, agora, espero que não precise mais dizer isso, torcendo para que a série caminhe com as próprias pernas, galgue seu próprio caminho, apesar de que nunca se desvencilhará de sua série de origem.

E foi isso o que atraiu a maioria dos telespectadores que acompanharam a estreia da série no AMC e também na Netflix. "Uma nova Breaking Bad": de jeito nenhum, espero que ninguém assista a série dessa maneira. Mas claro que tudo ali lembra Breaking Bad, e muitos assistiram a estreia de Better Call Saul com nostalgia, tentando relacionar algo que lembrasse a série comandada por Walter White, e olha, muita coisa lembrou.

Principalmente na parte técnica, notório as semelhanças: vimos ângulos de visão em cenas a partir de objetos; uma abertura de câmera onde podíamos acompanhar detalhes do cenário; um roteiro escrito minunciosamente, rico em detalhes e bem amarrado; uma trilha sonora que sabia exaltar os momentos cômicos e tensos; enfim. Os produtores são praticamente os mesmos, nos principais cargos, ainda mais que a estreia da série teve a direção de Vince Gilligan.

Mas a história precisava ser contada, e ainda precisa. Acompanhamos o início da vida de Saul Goodman pelo fim. O episódio inicia-se no futuro, após Saul despedir-se de Walter White em Breaking Bad, possivelmente em Nebraska, e claramente seguindo sua sugestão: virou uma espécie de gerente comercial, no muito, mas que não consegue ter consciência tranquila, nunca.


A série foi apresentada como prelúdio, mas essa cena no futuro deixa claro que o céu é o limite para a "franquia Breaking Bad", pois poderão contar mais um pouco (ou bem mais) do futuro de Saul, possivelmente acrescentando outros personagens que conhecemos em Breaking Bad, e , talvez, usando o passado e futuro ao mesmo tempo.    

Mas enquanto o futuro não vem, o passado de Saul, ou melhor, de Jimmy McGill, é apresentando. Um advogado de quinta, com vestimento de quinta, e "amigos" de quinta. Mas um batalhador, convenhamos. Falido, sem perspectivas, e com tudo dando errado ao seu redor, Jimmy inicia-se os trambiques que marcaram o querido advogado que conhecemos. Lutando para receber uma grande quantia em dinheiro que mudaria sua vida, esbarra em tudo e em todos, principalmente no principal interessado na causa, seu amigo Chuck, Jimmy segue tentando vencer processos invencíveis, daqueles que desabonam sua carreira, e que não são suficientes nem para pagar suas contas básicas.

Daí, então, começamos a acompanhar a transformação de Jimmy McGill. Da mesma forma de Breaking Bad, Better Call Saul demonstra ser uma série sobre "transformação", mas com muito menos tensão e com bem mais humor do que sua série percussora, apesar de que ainda não seja possível rotula-la. 


Jimmy começa a fazer "justiça" com as próprias mãos, e tenta reconquistar, através de "maracutagem", um cliente perdido. E como não poderia deixar de ser, se deu mal, a princípio. Recruta dois moleques infratores e dá a eles um servicinho "infalível", e que acaba os levando à maus lençóis. Uma indefesa (ou não) senhora latina, faz com que um saudoso personagem aparecesse na série: Tuco Salamanca ("Mijo"), aparece do nada, trazendo grande nostalgia aos fãs de Breaking Bad, e terror para Jimmy McGill, fazendo com que a ansiedade cresça ainda mais pelo próximo episódio.

Tuco é morto por Hank no inicio da segunda temporada de Breaking Bad, antes de Saul Goodman aparecer na série. Em Breaking Bad os personagens não tiveram nenhuma relação, deixando ainda mais sagaz a inserção de Tuco em Better Call Saul, já nos mostrando que ambos tiveram momentos juntos antes de conhecer Walter White.

Outro saudoso personagem, Mike, apareceu no episódio, mas sem relevância alguma, por enquanto. Mas foi muito bom revermos Mike, e saber que antes de conhecer Walter, Gus e cia, ele era um trabalhador mau humorado comum, como nós, e nos dando esperanças de que iremos também acompanhar a sua transformação. 


Um ótimo episódio de estreia, apesar de suspeito pra falar. Porém tentei ver a série com isenção, aos olhos de quem nunca tenha visto Breaking Bad. É muito difícil separar as duas séries, mas acho que até quem nunca viu Breaking Bad, gostou da série, pois sua premissa não é presa, e uma história baseada em um advogado trambiqueiro é muito convidativa, ainda mais com essa qualidade. Mas para degustar 100% de Better Call Saul, tem mesmo que ter assistido Breaking Bad.

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