The Affair: Primeiras Impressões


Responsável por presentear o público com séries consistentes e desafiadoras, tais como Master of Sex, Dexter e Homeland, entre outras, o canal a cabo Showtime apresenta agora The Affair, drama sobre os efeitos emocionais de uma relação extraconjugal.

Discutir o relacionamento entre homem e mulher sempre foi um tema espinhoso para se tratar tanto no cinema quanto na telinha; envolvendo então uma terceira e/ou quarta parte, mais complicado ainda. Assistindo a premiere desta nova série, logo me veio a cabeça o filme "Infidelidade" (2002), com Diane Lane e Richard Gere. No filme, Lane também é bem casada e feliz, mas acaba se envolvendo com outro homem, situação semelhante a do protagonista da série (pelo menos a primeira vista). Já em séries, nenhuma me marcou a ponto de lembrar no momento, a não ser o fato de que traições acontecem e que, quase sempre, são relevadas e perdoadas. Não analisadas. E é aí o diferencial da série do Showtime.

Na ótimo episódio de estreia (que "vazou" antes da estreia oficial, dia 12 de outubro nos EUA), The Affair nos apresenta a vida de Noah (Dominic West) e Helen (Maura Tierney). Casados e com 4 filhos em idades variadas (prevejo muitas histórias aqui), o professor/escritor sai de férias com a família com destino à casa dos sogros, que não gosta mas é dependente financeiramente (o conselho dele ao filho sobre a herança vindoura é cruel, mas real). No caminho, uma parada em um restaurante e um acidente com a caçula o coloca no caminho de Alison (Ruth Wilson), garçonete. Ambos tornam a se encontrar, nos fazendo sentir que algo explosivo sairá dali (afinal, o nome da série pode ser traduzido livremente como "O Caso"), bem como a troca de olhares em um momento angustiante do episódio.

Mas, tudo isso poderia ser entendiante se não fosse a ideia da narração em off: descobrimos que tudo aquilo que estamos assistindo são as recordações de Noah sobre como conheceu Alison. Pausa: confesso que fiquei aliviada em saber que estava assistindo a versão dele dos fatos; além de extremamente favorável a ele, o sujeito parecia estar usando a camiseta "mamãe passou açúcar em mim", pois toda mulher parecia se jogar sobre ele. Fim da Pausa. Volta pro episódio.

Trazendo algo que, além de nos provocar também nos instigasse, acompanhamos na última meia hora do episódio o dia de Alison e a visão dela do encontro com Noah. A perda do filho e o relacionamento com o marido, o chefe, a amiga, a família. Alison também está narrando em off os acontecimentos porquê também está sendo questionada, nos deixando com várias questões em aberto: o que aconteceu que os levou a serem interrogados? quando aconteceu? quem está dizendo a verdade? Alison teve um filho? Com quem?

Essa ideia de colocarem as duas versões da história foi uma excelente sacada; confesso que enquanto assistia a versão de Noah, tive raiva de Alison, a qual continuei odiando até o final da sua versão, momento que passei a ter raiva apenas do marido dela (Joshua Jackson #FringeFeelings). A mulher de Noah pra mim ainda é uma incógnita e olha que amo a atriz Maura Tierney desde ER e acho que foi uma "homenagem" a ela darem o sobrenome Lockhart para a outra família.

A partir do que eu li, a temporada terá 10 episódios, nos quais sempre veremos dois lados da história sobre o envolvimento de Noah e Alison. Espero que Cole e Helen também tenham as suas versões contadas, para que possamos formar um cenário mais completo do que acontece na cidade de Montauk, Long Island. A série foi gravada em locação - algo raro - pois os produtores acreditam que o ambiente fechado da cidade seja propício para situar (e esconder) um romance de infidelidade.

Com todos estes elementos, acredito que acompanharemos um drama real, situado na nossa época, com pessoas que poderiam ser nossos conhecidos, ou nós mesmos. Com qualidade e maturidade, será algo raro de se ver na TV.

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