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A Fantástica Última Temporada de The Killing


(Com spoilers)

Uma aula de como encerrar uma série.

The Killing recusava a nos deixar. Sofreu dois cancelamentos e foi resgatada duas vezes. Lutou contra os números de audiência, única coisa que interessava para o AMC, e conseguiu sobrevida graças à sua qualidade, prontamente reconhecida pelo Netflix. Ajudou na produção da terceira temporada e bancou sozinha a sua quarta, pois, felizmente, acreditou na série e não nos deixou órfãos, depois daquele excepcional cliffhanger.

Terminamos a terceira temporada presenciando Linden matar cruelmente (e merecidamente) Skinner, aos gritos de "NÃO" de Holder. Tempos depois fomos noticiados que não veríamos mais nada além daquilo, pois o AMC decidiu cancelar a série, fato que trouxe muita tristeza para o seu telespectador. É uma crueldade que fazem com o telespectador, mas é, infelizmente, uma prática comum na TV, pois não respeitam nada além de lucro, e deixam de contar uma história sem mais nem menos, se lixando para seus clientes. 

E a última temporada de The Killing provou que não poderíamos ficar "apenas" com aquilo. Precisávamos ver como Linden e Holder reagiriam após o assassinato, e foi nos mostrado na maior competência possível. Inseriram um super caso que sustentou a temporada e foi nos mostrando paralelamente toda a investigação que colocava a nossa dupla favorita em apuros, além, ainda, de inserir o lado familiar de ambos, traçando um paralelo gigantesco com o desfecho da série, com o que realmente importa: a família.

Uma criança que pagou desde o seu nascimento pelos erros de seus pais. Kyle, um jovem perturbado, rejeitado por ter nascido de um adultério, era preterido e humilhado por toda a sua família, o levando a assassinar todos, cruelmente, após ser instigado por colegas que o aplicava um trote escolar. Nada é justificável, sua atitude foi deplorável, mas Kyle não nasceu assassino, foi levado a ser. Ninguém nasce assassino e os pais são responsáveis pela educação de seus filhos, responsáveis por dar a eles caráter e exemplo de vida, e a última temporada da série deixou isso bem claro, quando inseriu a volta de filho de Linden, de sua mãe, além da revelação de que Kyle era filho de Margaret.


E o assassino da família Stansbury esteve evidente a todo momento, mas as circunstâncias fazia-nos rejeitar, fazia-nos desconfiar de todos. Estava claro, Kyle matou todos e tentou suicídio, não obtendo nesse último, êxito. Linden e Holder terminariam facilmente esse caso, se não fosse pela interferência poderosa da poderosa Coronel Margaret, que defendia seu filho, não revelado até o momento, com unha, dentes e favores jurídicos.

Muitos eram os suspeitos, e a trama fazia-nos desconfiar de todos: Kyle, Margaret, Kat, Lincoln, AJ... Mas mesmo com um número reduzido de suspeitos, a trama fez-nos bolar várias teorias, conseguindo nos impactar com a revelação: Kyle é mesmo o assassino de sua família, mas as circunstâncias fizeram com que a revelação fosse bombástica, ainda mais sabermos que Kyle foi mesmo o assassino de sua irmã, de seis anos, fato que negava insistentemente e convincentemente.

"O mostro foi embora?" - disse sua irmã em suas últimas palavras. A cena trouxe ódio mortal para esse que vos escreve, pois só um demônio seria capaz daquilo, e Kyle era o próprio. Cena revoltante. Personagem horripilante. 

Um núcleo se encerra, mas outro ainda precisa ter desfecho. A temporada teve a perspicácia de nos dar dois excelentes casos, núcleos principais, que foram se desenvolvendo espetacularmente. As investidas de Reddick deixava Linden e Holder transtornados. No mesmo tempo que buscavam resolver o caso da família Stansbury, eram levados a esconder os rastros do assassinato de Skinner, um fato novo para a dupla.

Passaram anos desvendando crimes, agora estavam tentando se safar de um, que facilmente o colocariam atrás das grades, e isso, como nunca antes, poderia acontecer. Holder iniciava uma família, e Linden acabava de derrubar a sua, claramente o lado que tinha menos a perder. Reddick chegava ainda mais perto da resolução e o desfecho era questão de tempo, mas nada foi capaz de persuadir Holder, o fiel, mesmo, parceiro, mesmo com a paranoica Linden sempre com um pé atrás. 


Fantasticamente a temporada nos deu um ótimo caso para acompanhar, típico da série, e nos trouxe momentos inéditos, onde os mocinhos da série viraram bandidos. E tudo isso em apenas seis episódios, que fecharam a série com maestria. Nos revelaram com perspicácia os dois casos, amarraram a trama familiar da série, e nos deram um fim digno. Trouxeram referências da primeira temporada da série, e ainda trouxe de volta o prefeito Darren Richmond, responsável por "absolver" Linden do crime, contra a sua vontade, e claro, para benefício próprio da autoridade.

Além da história bem contada, com um roteiro muito, extremamente bem amarrado, a produção esbanjou categoria. Fui fisgado em vários momentos na temporada apreciando a paisagem, a fotografia da série. Apreciava os takes de câmera, ângulos que eram filmados de um lado inusitado - retrovisores, debaixo da mesa, sobre vidraças, enfim - fato que fez, aliado ao saboroso clima da série, enriquecer muito os seus últimos momentos.

Que veio. Tivemos os tradicionais "tantos anos depois", que mostraram Linden e Holder em outras vidas. Linden larga, de novo, definitivamente, a polícia, e gasta os anos seguintes viajando, esparecendo sua mente, para depois voltar ao lugar que impactou sua vida. Vai em busca de Holder, e o encontra diferente, religioso, em paz em sua vida. Holder também larga o departamento, não consegue estabilidade com seu relacionamento, mãe de sua filha, mas se torna um pai dedicado.


A série termina 99% fechada. Os produtores colocaram uma pimentinha no final, ao sugerir que Holder e Linden pudessem viver uma vida amorosa juntos. Acredito que sim, acredito que se relacionarão amorosamente, apesar de esse clima não ter sido mostrado claramente na série, mas os olhos de Holder nos lábios de Linden deixou isso claro para mim, apesar de que torceria bem mais para uma amizade duradoura.

Enfim, a série termina, e aquela sensação gostosa de satisfação é sentida, e o sentimento de gratidão também reascende. É muito bom assistir uma série com início, meio e fim, bem produzida, escrita, orquestrada, e com belíssimas atuações. The Killing fecha o livro, definitivamente, resta-nos degustar em mente o que a série nos proporcionou e agradecer à Netflix por ter salvado duas vezes a série, fazendo com que sua existência seja ainda mais valorizada e sua mensalidade soe insignificante.

Avaliação:
*****

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