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A Conquista do Doctor [Especial]

(contém spoilers das 4 primeiras temporadas da série atual)

Ah, aquela sensação maravilhosa de viciar em uma série. Há algum tempo eu não sentia isso, em especial por ficção científica. Órfã de Lost e Fringe, quando um amigo me recomendou Doctor Who, me senti na obrigação de ter um sci-fi na minha grade, e me senti mais obrigada ainda ao ver o imenso sucesso que é Doctor Who, esse tesouro nacional britânico que conquista mentes e corações há mais de 50 anos. Para quem desconhece, a série acompanha as aventuras de um Time Lord conhecido apenas como Doctor, através do tempo e espaço em sua nave com aparência de cabine telefônica policial britância, a TARDIS. Sempre acompanhado por uma humana, eles viajam para o passado, para o futuro, e para muitos outros planetas, conhecendo lugares inimagináveis e fazendo amigos e inimigos. A série clássica durou de 1963 até 1989.


Após o término de uma maratona era hora de partir para a próxima, ainda em território inglês (dá-lhe BBC). Comecei então com "Rose", o piloto da série atual, de 2005. Christopher Eccleston não empolgou tanto, muito menos os efeitos especiais, problema orçamentário que marcou demais a série e foi responsável pelo preconceito de muita gente, que não queria ver algo "galhofa" ou "trash". Talvez o que tenha salvo o episódio foi justamente o nome dele, a loirinha simpática que, juntamente com o público, vai aprendendo e conhecendo esse novo universo do Doctor. Levei um bom tempo para terminar a primeira temporada, fui empurrando os que pareciam longuíssimos episódios, ouvindo a promessa de que ficaria melhor. E ficou. Salvo um episódio ou outro (aquele com o pai da Rose e aquele em que conhecemos o Cap. Jack Hartness), a fraca primeira temporada terminou até melhor do que o esperado e com a primeira regenaração da nova série: olá David Tennant.

Então tudo mudou: em um único episódio, o primeiro especial de Natal, Tennant conquistou. A simpatia, o charme, o cabelo, o jeito gozador, nem deixaram chegar a saudade do nono Doctor. A segunda temporada foi maravilhosa, agora já acostumada com os efeitos que aos poucos melhoraram e com a que, para mim, foi a melhor dupla da série: o décimo Doctor e Rose Tyler. Teve até episódio em universo paralelo (saudades de Fringe) e um final de temporada de arrancar lágrimas facilmente. Lá se ia nossa Rose Tyler para a entrada de Martha Jones. A nova companheira ficou automaticamente "odiada" pelos amantes de Rose, como eu, mas a mediana terceira temporada foi-se embora logo("mediana" tem exceção para o excelente episódio "Blink"). Mantendo o glorioso David Tennant, a série continuou com Donna, a mulher muito chata de um especial de Natal, mas que se tornou a bacana verdadeira amiga do Doctor e entregou uma quarta temporada excelente. Diferentemente das outras companheiras, Donna, mais velha, não ficou de charme pra cima do Doctor, deu bronca quando ele merecia e salvou o universo tornando-se meia humana, meia Time Lord.


A simples secretária londrina foi outra despedida dolorosa, que teve sua mente apagada, as memórias das melhores aventuras de sua vida. E foi então que percebi o quanto tinha me apegado a série, aos personagens, aquele universo maluco e magnífico. Afinal, não é a vida uma série de chegadas e despedidas? Ora posso me identificar com as companheiras, loucas para ter aventuras com um homem super especial, querendo ser amantes, amigas, querendo rir e dar broncas quando necessário. Ora me identifico com o Doctor, mesmo rodeado por amigos, se sentindo sozinho e sem saber para onde ir, questionando seus atos e querendo saber quem realmente é. A ficção dá espaço aos sentimentos e acredito que seja essa a combinação perfeita do grande sucesso que é Doctor Who.

Após "maratonar" tantos episódios e especiais, me encontro como uma companheira novamente: a vida comum parece entendiante e começo a ver as estrelas com outros olhos. Mas minha jornada ainda está longe do fim, está na hora de entrar na era Matt Smith e do gênio Steven Moffat (sim, o cara que está por trás de Sherlock também!), ainda que me doa tanto ter que se despedir de David Tennant. A curiosidade falou mais alto e acabei vendo o filme "The Day of the Doctor" antes do tempo, esse que merece um texto a parte. Aventura sem igual que reúne 3 Doctors e emociona qualquer fã, desde a série clássica aos dias atuais. Me resta agora enxugar as lágrimas e continuar a explorar esse universo único que é Doctor Who. E resta a todos nós esperar que a série dure pelo menos mais uns 50 anos. Para quem já acompanha, que venha Peter Capaldi com sua oitava temporada. Para quem nunca viu, tente começar, é uma das melhores jornadas do mundo televisivo.


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