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Maratonei Sherlock, e agora? [Especial]


Não, não vou me jogar de um prédio. Vou rever Reichenbach milhares de vezes até cansar e até ter uma teoria decente. Sherlock, com seus episódios aparentemente longos, se vai em tão pouco tempo. No início do ano, tive a felicidade de começar a ver a série, e 9 episódios depois, a infelicidade de saber que outro inédito, só em 2016.

Meu primeiro contato com o personagem de Conan Doyle não foi pelos livros, infelizmente, e nem com a adaptação de Moffat e Gatiss. Em 2008, Guy Ritchie levou sua versão do Detetive Consultor para os cinemas, com um de meus atores preferidos, Robert Downey Jr. Portanto, lá eu estava, na estreia...e me apaixonei. Tudo no filme encantava: Holmes, Watson, a perfeita química entre os dois atores, a iluminação, a trilha empolgante do gênio Hans Zimmer. A sequência, trazendo Moriarty (e uma lembrança para os fãs de Fringe) também não deixou nada a desejar. Mal sabia eu que, ainda em 2008, havia um piloto gravado pela BBC, o depois famoso "unaired pilot", ou 1x00. "A Study in Pink" em uma ótima versão, mas não a melhor.



Tempos depois, uma amiga me contou que havia assistido a série e me recomendou, disse que eu ia adorar. "Sherlock, mas nos tempos atuais?", pensei que não daria certo. A BBC adorou a ideia, menos gastos para eles. E ouviram uma promessa, dizem, de que Moffat e Gatiss trariam um Sherlock sexy, e não Benedict Cumberbatch. Mas a promessa foi cumprida, mal sabiam eles que o novo Sherlock era o novo sex symbol mundial. Sendo assim, em janeiro desse ano, com todo o alvoroço dos seriadores pela volta da série com a terceira temporada, em fevereiro eu comecei."A Study in Pink" conquistou imediatamente. Os primeiros minutos deixando aquela ansiedade, "onde está Sherlock?", e de repente lá está ele, chicoteando um cadáver. Logo depois o famoso nome é dito, o endereço, e tem aquela piscadinha. Mas é claro, não é apenas o charme de Cumberbatch e a fofura de Freeman que conquistam. A genialidade da série acontece de maneira fantástica, seja na inovação das letras de celulares e computadores que aparecem na tela (até dos pensamentos e deduções do nosso protagonista), seja no caso em si, no mistério por uns momentos de quem era o Mycroft, nas falas e pensamentos rápidos de Sherlock e na trilha perfeita de David Arnold.

Adaptar uma história que se passa no século XIX para o XXI é algo arriscado, entretanto, Moffat e Gatiss o fazem com simplicidade e originalidade. O cigarro é agora adesivo de nicotina (ás vezes o problema é para 3 adesivos, mas tudo bem) e o diário de John é agora um blog. A formalidade, mostrada por exemplo nos filmes de Ritchie, dão espaço para a intimidade. Enquanto Downey Jr chama Jude Law por Watson, e este o chama de Holmes o tempo todo, Cumberbatch não demora muito para passar a chamar o Dr. John Watson de "meu colega" e já no segundo episódio, "meu amigo John". E claro, não só John, mas todos chamam, gritam, "Sherlock" o tempo todo. Afinal, é o nome da série (adoro o fato da série não chamar "Sherlock Holmes"). Uma série sobre esse personagem excêntrico, genial, arrogante, imprevisível, divertido, amigo. Não vou me arriscar falar muito sobre ele, é bem difícil. Só sei que não consigo mais imaginar outro ator para o papel, méritos para Moffat, Gattis e Cumberbatch.


Continuando a ver a série, não posso deixar de notar duas coisas: como, até a segunda temporada, o segundo episódio é sempre o "menos bom" (não existe fraco ou sem graça por aqui) e como Andrew Scott foi a escolha perfeita para Jim Moriarty; ouvir Bee Gees nunca mais foi a mesma coisa; e dando um pitaco no cinema, se achavam que depois de Heath Ledger não há mais Coringa/Joker, eis o meu candidato. Mais um personagem que me dá imensa dificuldade para escrever sobre, já que está no nível de Cumberbatch. E como não falar do final da segunda temporada? Reichenbach lidera fácil minha lista de episódios preferidos, difícil achar outra palavra para ele que não seja "genial". E como todo episódio, tem de tudo um pouco: risadas, ação, muito raciocínio e emoção. Emoção que fez muita gente chorar nesse 2x03. E vale também menção à Irene Adler, que mesmo deixando muitas fãs morrendo de ciúmes, traz um dos melhores episódios no 2x01; a simpática Amanda Abbington, parceira de Freeman na vida real, é introduzida perfeitamente na "família" já formada da série na terceira temporada, e mesmo com a Mary cheia de segredos no 3x03, ela acaba conquistando a todos. Família que é uma palavra importante na série, já que podemos contar com os pais de Cumberbatch nos papéis do casal Holmes, além do filho de Moffat no papel do pequeno Sherlock no 3x03. O casamento então, merecia um texto a parte; finalmente um "episódio do meio" superior ao resto da temporada, que transborda risos e lágrimas, tudo em meio à uma edição de tirar o fôlego. Quem não adorou a despedida de solteiro de John? Então, nós fãs nos damos conta de como essa série é especial, de como não pode haver mais de 3 episódios por temporada, de como não pode haver mais episódios com menos duração, pois a qualidade é primordial e deve se manter. E como Cumberbatch e Freeman são um sucesso imenso na tv, no cinema, no teatro, suas agendas sempre lotadas, só temos novos episódios a cada 2 anos. É a realidade, triste, dolorosa, mas boa, cheia de expectativas.


Enquanto novos gloriosos episódios não chegam, vale muito rever os filmes de Ritchie (comparações são inevitáveis) e ler os contos originais de Conan Doyle. É sugestão também ver outros trabalhos do incrível Benedict Cumberbatch, filmes como Star Trek: Into Darkness, Third Star (para quem quer chorar), a minissérie Parade's End e o maravilhoso filme Hawking. E claro, vale rever a série e até mesmo o 1x00 que, para mim, tem uma cena melhor que no episódio oficial, quando Sherlock finge estar bêbado. Revisitando os 9 episódios, novos detalhes surgem, novos raciocínios e novas teorias. 

Não, eu não vou me jogar de um prédio...mas sumir por 2 anos e voltar em 2016 até que não é uma má ideia...ou sair atirando nas paredes.


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