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[Crítica] Fargo

"E aquela prazerosa sensação de satisfação, orgulhoso de acompanhar uma série tão linda."

(Com spoilers)

Foi o sentimento que esteve presente enquanto, ao som melancólico orquestrado, acompanhamos os últimos segundos da série. Mesmo com a história já encerrada, foi prazeroso acompanhar aquela trilha sonora final, lendo o nome dos envolvidos nesse projeto, em um misto de satisfação e emoção indescritíveis.

Ficou claro, e disse isso nas primeiras impressões da série, que a série era de extrema-qualidade, mas "apenas" isso não seria suficiente para marcar o nome da série no cenário televisivo. E após dez episódios, a série mostrou que não tem apenas um "rostinho bonito", mas sim, tem conteúdo.

Um assassino que "valoriza" o livre-arbítrio: "Você tem certeza que quer isso, Lester?", perguntara em diversas oportunidades. Lorne Malvo (Billy Bob Thornton), impiedoso assassino, que passou por cima de tudo e de todos; que enganou várias vezes a quase amadora polícia da cidade; que tratou suas vitimas com uma frieza incrível, exalando temor com seu sorriso... Foi-se embora pelas mãos de um covarde assumido, mas que tornou-se um herói quando presumiu a morte de sua esposa/família.

Gus Grimly (Colin Hanks), o primeiro "policial" que esteve com Malvo em suas mãos, que acabou o deixando escapar devido ao seu poder de persuasão, teve a missão de acabar com a vida do crápula. Malvo esteve à sua frente em coincidências, ironias do destino, como se ele tivesse dado a ele a missão final, mesmo que Gus tentasse fugir do crápula a todo momento.

Malvo tornou-se passado em certo momento em Fargo, trazendo paz para todos os envolvidos, e Gus teve a inteligência e coragem de não alarmar a cidade com a sua volta, principalmente para sua esposa, agindo de forma preponderante para o fim de Malvo. 


Que não contava com tanta dificuldade para matá-los. Malvo teria sido negligente com Gus e Lester. Seu excesso de confiança foi preponderante para a sua morte, ao se descuidar por uma armadilha simples na casa de Lester, e por não pisar em uma mosca morta quando teve a chance, no caso, Gus.

Falando de mosca morta, vem o nome Bill Oswalt (Bob Odenkirk), um chefe de polícia que denegriu a denegrida corporação, sendo responsável pela não resolução do caso a muito tempo. Digno de atestado de burrice, reconhecido pelo próprio no final, fazendo com que aceitasse sua aposentadoria, dando, devidamente, a direção para quem merece, a perspicaz Molly (Allison Tolman).

Uma detetive que esteve à frente de tudo e de todos, que teve os bandidos várias vezes em suas mãos, mas foi impedida pelo lado que deveria ajudá-la, e que estavam mesmo a atrapalhando. Tudo isso pelo jeito "inocente" de Lester (Martin Freeman), que cativou todos, inclusive cativou os telespectadores, porém que devido suas atitudes deploráveis, tornou-se sua morte, fuga desenfreada no gelo, comemorada.

Lester começou como vitima, literalmente, mesmo sendo autor da morte repentina de sua esposa. Ele era o garoto que sofria bullying à vida inteira, que, devido a isso, fez com que olhássemos a história da série através de seus olhos, chegando a nos fazer torcer por ele. Mas Lester não pode ser inocentado dos assassinatos que acorreram na cidade, principalmente a de suas esposas, além de inúmeras mentiras cabulosas para a polícia, inclusive fazendo com que seu próprio irmão fosse incriminado. 

Ele poderia ter abrido o jogo logo no início, mas estaria também se comprometendo. Então iniciou-se uma sequência incrível de mentiras, uma gigante bola de neve, que findou-se com a morte de Malvo. A partir daí ficou claro o verdadeiro lado bom da história, protagonizado por policiais que queriam paz naquela cidade, paz dentro de suas casas, que só veio após a morte da dupla Malvo/Lester.


E a sensação de satisfação ainda aumenta quando lembramos que a série é baseada em fatos reais, e que diferente do que acontece muito nos dias de hoje, chegamos a um final feliz. A série tem poucos episódios, e a informação que terminaria após eles, que teríamos um desfecho, trouxe grande interesse para o público.

Ao longo dos dez episódios a série não impactou de forma significante. Fargo não é aquela série que te faz enlouquecer, que te deixa sem sono, perdido, e não traz demasiadamente ansiedade para a continuação da história. Muitas vezes os episódios começam com um branco, reiniciam a trama e encaixam o roteiro no fim.

Fargo foi uma série que vai te contando uma história, te cativando aos poucos, da forma visual mais bela possível, em uma linha perpendicular incrível, que traz conforto, tensão e emoção, principalmente em seus últimos episódios.

Sendo assim, a minissérie Fargo se tornou um ótimo programa que deve ser assistido, com produção impecável e elenco fantástico. Não chega a ser viciante e impactante, mas isso nunca foi proposto pela série, que teve a ombridade de apenas contar a sua bela história, para que fechássemos o livro com a maior satisfação possível.

Avaliação:
*****

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