True Detective - 1ª Temporada


(Com spoilers)

True Detective, a nova 'obra prima' da TV, apesar de não trazer algo que impactasse.

É inegável que True Detective, nova série da HBO, aclamada pela crítica, pode ser considerada uma 'obra prima' por diversos fatores técnicos, mas ao longo de suas oito horas de narrativa, muitas coisas ficaram faltando para que ela preenchesse o coração desse simples viciado em séries.

Notamos claramente que não estamos acompanhamos uma série qualquer, dada a grande qualidade que ela exala logo em seus primeiros minutos. Principalmente quando prestamos atenção de como são focalizadas as cenas, principalmente as externas, quando notamos que o diretor quer contar a história de um ângulo que traga riqueza ao enredo, e que faz os olhos dos telespectadores brilharem.

Aliado a uma linda fotografia, efeitos visuais e roteiro bem amarrado, True Detective conta a história de um assassinato, satânico em nome de Deus, mas demostra que a iniciativa foi inserida apenas para dar sustentabilidade à série, ao melhor que propunha: a relação e o cotidiano de dois detetives, detetives verdadeiros.

Esses, diga-se, ajudaram a rotular True Detective como 'obra prima': Matthew McConaughey (Detective Rust Cohle) e Woody Harrelson (Detective Marty Hart). Atuações fenomenais, é o que pode ser dito de ambos, mas com destaque maior para McConaughey, que vive o melhor momento de sua carreia. 


McConaughey viveu Cohle de forma intensa, com maestria, debruçando claramente no personagem e caraterizando fisicamente e mentalmente um dos melhores personagens dos últimos tempos da TV.

Sua trama tornou-se interessante, adjetivo que considero bem colocado para a série. E não passou disso. Acompanhamos uma narrativa interrogativa de passado e futuro, para que chegássemos a um ponto onde os tempos se uniram, amarrando a narrativa e dando direção à história. A série começou a ficar bem mais interessante a partir desse momento, após o quinto episódio, quando os momentos ficaram mais empolgantes e as investigações monótonas, que vimos de início, não existiam mais. 

A briga entre os detetives, a vida pessoal de Hart, a solidão investigativa de Cohle - que não se conteve com a resolução superficial do crime-, foram pontos que trouxeram clareza à trama, criando ansiedade pela resolução do grande mistério.

Contudo, a resolução não trouxe impacto, muito menos surpresa, pois os 'únicos' que não sabiam do culpado eram os detetives. Talvez tenha provido alguma ansiedade para quem assistiu a série semana após semana, pois no meu caso, que vi os oito episódios praticamente numa 'sentada', não consegui me ater a esses sentimentos. O grande final, que poderia trazer mais tensão e impacto, principalmente se optassem pela morte de um ou dos dois detetives, poderia ter maior aceitação para esse que vos escreve: o 'final feliz' para ambos foi brochante, ainda mais que a história termina, definitivamente, pois a nova temporada não será uma continuidade.

Salvo isso, fato que não desabona a série, True Detective fecha bem a sua primeira temporada. Não é uma história impactante, muito menos envolvente. Traz elementos investigativos simples, que são vistos facilmente em diversas séries do gênero, mas não, claro, com a belíssima forma que foi mostrada. Esperava que a série impactasse mais, reitero, e que fizesse-me pular do sofá, entrar dentro da trama, arregalar os olhos com as cenas, enfim. Mas não, infelizmente, pois a série passaria pra mim de 'obra prima' para 'obra prima perfeita'. 

Avaliação:
*****
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