The Originals: “Le Grand Guignol” e “Farewell to Storyville” - 1x15x16



Foi o fim de uma era... Opa, será que podemos chamar apenas 16 episódios de era? Bem, considerando que os personagens principais são imortais com centenas de anos, acredito que podemos chamar sim de Era, que acabou com a saída de Rebekah Mikaelson.

Quando foi anunciado o spin-off de The Vampire Diaries focado na família de vampiros originais, muitos fãs vibraram com a ideia. Afinal, a família milenar tem muita história pra contar e portanto poderia render excelentes episódios, com tramas bem planejadas acontecidas no passado ou ainda a serem executadas. Apesar da morte de dois originais (Kol e Finn, este último quase nunca lembrado) e dos pais originais, a nova série seria focada no trio de irmãos principais: Elijah, o mais velho, responsável e dono de um senso de ética e união familiar sem igual; Rebekah, a única mulher, sonhadora e romântica, que lutara até o último minuto para virar mortal; e Klaus, o mais temido e cruel, o híbrido de vampiro e lobisomem.

A chegada do trio em New Orleans, a (re)tomada de poder por Klaus e a briga com as bruxas mostraram-se tramas interessantíssimas mas que deixavam a sua personagem feminina principal de escanteio. Comentei em reviews anteriores que estava cansada de ver Rebekah atuando como babá da Hayley ou sonhando com o príncipe encantado (o rápido envolvimento dela com um lobisomem foi um tiro no pé na mitologia). A personagem deveria ter histórias melhores para contar e para explorar, mas não estava conseguindo espaço perante uma ordem de bruxas vingativas e prontas para a guerra. Até Hayley conseguia ter um papel mais importante, o da donzela indefesa, já que está grávida do bebê original, cobiçado por todos. Dessa forma, não restou outra alternativa no rumo da história: mandar a personagem embora, livre para desfrutar sua imortalidade do jeito que desejasse.

Os episódios “Le Grand Guignol” e “Farewell to Storyville”, respectivamente o 15º e o 16º desta primeira temporada (já renovada!) mostraram o que aconteceu quando o Papai Original chegou a cidade em 1919, os eventos que causou, os traumas que gerou e como conseguiu selar o destino dos filhos e do bastardo rejeitado. Quer prova maior que o tema central da série é e sempre foi a família?


Para tentar proteger Rebekah, Elijah feriu Klaus com a adaga enfeitiçada de Papa Tunde e depois deixou-o sob os cuidados de Cami, que se tornou a ouvinte de um debilitado e nervoso Klaus. Ele conta pra ela a sua versão do que aconteceu no passado, quando Rebekah e Marcel tramavam trazer seu pai pra cidade: ele havia aceitado o relacionamento dos dois. Tá aí a explicação dele acreditar que foi traído. Quando ele diz “Seja Feliz, minha irmã” eles já haviam traído o híbrido original.

A chegada de Mikael não somente expulsa os irmãos originais da cidade como também cria nos três marcas e sentimentos que definirão o modo de agir e pensar de cada um deles. Como diz Rebekah em determinado momento, eles estão “quebrados” sem possibilidade de conserto. Quando Mikael ataca Marcel e incendeia o teatro, ele tira o resto de humanidade que existe em Klaus, moldando quem ele seria a partir dali para os irmãos e para o mundo.

Enquanto estão presos no cemitério (graças a um feitiço de Celeste), os irmãos discutem o passado, suas memórias de infância, a vida de terror com o pai. Talvez tenha sido a revelação de que Rebekah quase matou o próprio pai (impedida no último momento por Elijah) ou a retribuição de dor que infligiu à Elijah que fez com que o híbrido não perdoasse a irmã, mas a deixasse ir, a libertasse do fardo de ser uma Mikaelson. Cenas memoráveis marcaram esses momentos, em belas interpretações de Joseph Morgan e Claire Holt.


Com todos esses acontecimentos envolvendo os irmãos originais, as demais tramas tornaram-se secundárias: a volta de Davina e a revelação de que Marcel é apaixonado pela bruxinha; a cura da maldição sobre a família da Hayley; a vingança final de Celeste, seu suicídio e sua morte, orquestrada por Monique e Elijah. Estas tramas ganharão força a partir de agora, com uma New Orleans dominada por Klaus mas que tem em Elijah seu homem forte. O que reserva para os irmãos? Como ficarão os lobos nessa história? E o bebê híbrido original? Questões que nos intrigam e amenizam a saudade que sentiremos da “Louca Tia Beca”. Rebekah deixará saudade não pelo que foi (pelo menos em The Original) mas pelo que poderia ter sido. Que a série não desperdice mais nenhum personagem; nós, fãs, não aguentaríamos.

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