Orphan Black: — 1ª Temporada


Orphan Black, a grande sensação de 2013,
 não passa de uma boa série, nada de sensacional.

É competente no que se propõe, mas a série poderia entrar para a prateleira de cima das grandes séries, caso os produtores tivessem um pouco mais de cuidado e capricho com ela. A premissa é envolvente e intrigante, mas falta constância em seu desenvolvimento.

Mas ao colocarmos na balança, Orphan Black tem muito mais pontos positivos do que negativos. A série vem com uma toada juvenil, mas demonstra em vários momentos ser uma série madura, sem medo de impactar. Cenas de sexo, cenas de nudez, sangue explicito, violência, enfim, são fatores presentes na série e que abrilhantam a narrativa, sem censura, valorizando a arte. Fundamental para carimbar uma grande série.

Porém outros fatores incomodam, mas já digo que são "releváveis", pois como disse, reiterando, a série tem muito mais pontos positivos. Mas temos que engolir fatos como: ninguém reconheceu, a princípio, a farsa de Sarah se passando por Beth. É impossível, pra humano ou clone, viver a vida de outra pessoa sem levantar suspeitas. Ainda mais para Paul, namorado de Beth que Sarah teve relações. Os primeiros episódios mostraram momentos difíceis de engolir, chegando a ser vergonhoso. Seria fácil resolver, poderiam inserir um problema de saúde para o personagem, uma espécie de amnésia, sei lá, seria bem melhor. E os personagens envolvidos com Sarah demoraram muito para desconfiarem da farsa. 


E o objetivo inicial de Sarah foi pífio. Precisava de 75 mil dólares pra fugir com a filha e decidiu correr sérios riscos de ser presa, se passando desnecessariamente por Beth. Os bens da falecida, inclusive o carro, estavam em sua posse, já poderia sumir com sua filha, fugir do namorado Victor e salvar sua pele. Claro que ela nunca poderia fugir mesmo, se não, não haveria série, mas poderiam ter feito de uma maneira menos forçada.

Outros pequenos problemas desse tipo foram notados, além de algumas falhas de produção - como a clara utilização do chroma-key em alguns momentos -, mas são momentos que podem ser relavados, como disse. A série traz uma história instigante, é o mais importante, fazendo com que os episódios sejam divertidos de assistir, sem nenhuma monotonia, com roteiro de fácil conexão, ilustrado com as belíssimas atuações de Tatiana Maslany.

E as personagens de Tatiana Maslany são o ponto alto da série. Com essa história de clonagem, a cada clone que aparece notamos a qualidade da atriz, que consegue vivê-los diferenciando-os muito bem, fazendo-nos esquecer que a atriz está por trás dos personagens. Em cenas que apareceram dois ou três personagens, vem aquele momento que pensamos na dificuldade de fazer cenas como essas, fazendo com que valorizemos ainda mais o trabalho da atriz.


Uma maratona tranquila, apenas 10 episódios que não são nada cansativos. Se não for chato, como eu, nem perceberá esses pequenos deslizes que a temporada trouxe e irá degustar da trama. Orphan Black é uma série boa ou muito boa, não tem nada de sensacional, mas pode se tornar uma das melhores séries da atualidade. Estrutura e premissa tem, falta apenas capricho, mas eu acredito no seu futuro, melhorando a cada episódio. 

A 2ª temporada estreia na BBC no dia 19 de Abril. Corre que dá tempo.

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