Especial Oscar 2014: "Trapaça" [American Hustle]


"You gotta get up in the morning, take your heavy load, 
and you gotta keep going down the long black road."

Filmes sobre golpes e vigaristas sempre representaram um atrativo ao grande público. Clássicos como Bonnie & Clyde, Golpe de Mestre (vencedor do Oscar de Melhor Filme) e filmes mais recentes como a franquia Ocean's (11 Homens e um Segredo e suas continuações) são exemplos da nossa tendência a torcer pelo "vilão". E esse gênero ganha mais um representante de peso com Trapaça (American Hustle), um dos principais concorrentes ao Oscar 2014.


O filme conta a história de Irving Rosenfeld (Christian Bale), o típico vigarista que trabalha ao lado de sua parceira/amante Sydney Prosser (Amy Adams) que vivem uma vida de golpes, luxúria e ostentação, embalados pelo Jazz de Duke Ellington, até serem pegos pelo agente do FBI Richie DiMaso (Bradley Cooper) e forçados a ajudar a agência em uma operação para pegar políticos corruptos que mais tarde ficou conhecida como a operação real ABSCAM.

Trapaça é o típico filme de atores, em que a história e seu desenvolvimento em si são ofuscados pelo brilhantismo das performances de seus protagonistas. Um dos poucos casos em que todos os atores estão bem, em especial o time de protagonistas que carregam o filmes nas costas e tornam a história (que em alguns pontos apresenta algumas falhas de desenvolvimento) muito mais interessante de ser acompanhada.

Christian Bale está no time de "camaleões" de Hollywood. O modo como ele se entrega a cada papel, disposto a se transformar quase por completo é simplesmente fantástico, e nesse filme não é diferente. Você simplesmente esquece que aquele vigarista gordo, cínico, manipulador e oportunista há não muito tempo interpretou um dos heróis mais altruístas que existem: Batman. Amy Adams e Bradley Cooper também se destacam, mostrando mais uma vez que são mais do que rostos bonitos em Hollywood e que dão conta de interpretar papéis complexos (é bem provável que Adams não leve o Oscar esse ano, mas ela sem dúvida merecia, assim como merecia por suas indicações anteriores, em especial por sua performance estupenda no filme Dúvida).

Mas o verdadeiro destaque das atuações fica por conta de Jennifer Lawrence, que interpreta Roselyn Rosenfeld, a esposa desequilibrada de Irving. Lawrence é um verdadeiro achado cinematográfico, a forma como ela trabalha tão profissionalmente ao lado de tantos veteranos é simplesmente assustadora; a impressão que dá é de que ela faz isso a vida toda, sendo que ela entrou para a indústria em menos de cinco anos, período em que já recebeu três indicações ao Oscar (vencendo uma), 3 indicações ao Globo de Ouro (vencendo duas), entre outros prêmios. E tudo isso com apenas vinte e três anos de idade. Se ela continuar nessa constante de qualidade ouso dizer que Meryl Streep terá uma concorrente de peso.


O filme em si tem alguns exageros visuais desnecessários que tentaram potencializar o fator "cool" mas que acabaram não sendo tão bem-sucedidos. Contudo, em meios a tantos filmes vazios e esquecíveis, ter uma comédia inteligente, com identidade e estilo, é um frescor para o cinema atual, e David O. Russell está provando ser um ótimo representante desse tipo de filme, entregando ano passado o também ótimo O Lado Bom da Vida (que rendeu à Lawrence seu primeiro Oscar). Ele tem potencial para se tornar o novo Billy Wilder, fazendo comédias geniais que entrarão para a história do cinema. Sem dúvida nenhuma ele está no caminho certo.

Trailer:
   

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