Especial Oscar 2014: "Clube de Compras Dallas"




Clube de Compras Dallas (Dallas Buyers Club, 2013) é um drama estrelado por Matthew McConaughey (True Detective), Jared Leto (Requiem For A Dream) e Jennifer Garner (Alias). Dirigido por Jean-Marc Vallée, o longa biográfico conta o drama de Ron Woodroof, eletricista diagnosticado com AIDS em um período de estigma da doença. Muito embora certamente não seja o favorito ao Oscar de melhor filme, o longa é eficiente em sua proposta, possui atuações de peso e uma narrativa instigante.

Aparentemente um conto simples, Dallas Buyers Club se evidencia como uma narrativa rica em suas temáticas. Sob a perspectiva de um único personagem a historia expõe de forma comovente e fiel um dos períodos mais obscuros de nossa historia recente.

Ainda que hoje não existam tantos tabus e equívocos acerca da AIDS, em 1985, período em que a historia se passa, a doença era também conhecida como a "Peste Gay” visto que a maioria dos portadores diagnosticados na época eram homossexuais. Posto isto, é interessante ver o modo como Ron, um heterossexual, lida com a sua nova condição. O roteiro é eficiente em retratar como a estigmatização da doença segregava os portadores dos ditos saudáveis (e é curioso ver como as pessoas se comportam diante o contato com os portadores, hesitam até mesmo diante um inofensivo aperto de mão, como se a doença fosse transmitida assim tão facilmente). Embora seja um drama pessoal, focado basicamente na vida de Ron pós diagnostico, serve também como um registro de um período confuso para os portadores da doença.

Ron não só luta pela própria sobrevivência, como também enxerga uma oportunidade no caos. Ao constatar que o único tratamento ofertado é agressivo demais para os pacientes, ele funda o Clube de Compra do titulo, onde pacientes, por meio de uma taxa de associação de $400,00 dólares mensais obtêm medicamentos não aprovados pelo FDA, mas que são mais eficientes e menos nocivos.

Clube de Compras Dallas não é um filme político a exemplo de O Jardineiro Fiel, que também se foca de forma mais evidente na questão dos abusos das indústrias farmacêuticas, mas não é de se espantar que seja visto como tal. Ron involuntariamente se torna um herói para os seus clientes, ainda que suas intenções sejam inicialmente oportunistas. E há ainda a relação que ele estabelece com Rayon (Jared Leto irreconhecível, provando que deveria abandonar de uma vez por todas o mundo da música), uma drag queen que o faz rever seus valores em relação aos homossexuais, criando uma amizade curiosa e improvável.

O filme poderia ser um drama exagerado, mas não é óbvio. É cru e comovente na medida certa, não busca um final feliz para personagens desconcertantes e moralmente falhos, mas busca retratar um quadro fiel e assustador da realidade, o que não é muito bonito de se ver, fato que ironicamente o torna uma bela obra cinematográfica.

No fim, Clube de Compras Dallas é indubitavelmente um filme imperdível e que traz boas lições de tolerância, o que talvez contribua para nos tornar pessoas mais empáticas.

Trailer:

  

Especial Oscar 2014:  "O Lobo de Wall Street"
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