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Top 10 Melhores Séries de 2013: 3ª Posição - SONS OF ANARCHY



Por Gabriel Barros

“Eu sinto que minha vida deu uma volta. Estou seguindo um caminho em que nunca estive. Nada é familiar. As placas não fazem sentido. Saio da pista ou continuo pilotando? Vou sozinho ou levo outros comigo? Em quem eu confio para essa jornada?”

As histórias costumam ser muito bem entrelaçadas e desta vez não foi diferente. Ao resolver, na temporada passada, um problema do velho Original Gangster, um assassinato em massa ata o clube a uma promotora que busca um bode expiatório para manter o senso de justiça.

Além disso, pegamos a sexta temporada com a Tara presa pela conspiração do assassinato de Pamela Toric, Clay preso pelo assassinato de Damon Pope e Jax basicamente perdido, como vimos na citação do começo do texto. Tornar-se o presidente não significa simplesmente tomar algumas decisões sobre o clube. O martelo tem o poder de dizer quem vive e quem morre. Por mais inteligente que Jax seja não há como analisar todas as variáveis envolvidas em uma escolha e a cada dia que passa o patch de presidente pesa cada vez mais.

Sabe aquela velha história de que somos livres para fazermos o que quisermos, mas somos escravos das consequências? Aqui a história fica mais complicada ainda. O tão crido livre-arbítrio é atacado por forças maiores e a escolha isenta se esvanece.

Sons of Anarchy não é uma série cujos personagens podem ser reduzidos a meras cópias ou adaptações. A individualidade é explorada como se os personagens fossem obras de um pintor ultrarrealista. É a Kurt Sutter que devemos nossas, pelo menos, treze horas de genialidade.


Apesar de muitos reviewers e comentaristas gostarem muito do lado B das séries, eu costumo me ater ao arco e personagens principais com mais força. Eu vi, nesta temporada, o crescimento de Jax como algo imprevisível, mas totalmente explicável. Todo o contexto ao seu redor dão respaldos suficientes para a violência, às traições internas e constantes omissões.

O formato desta temporada foi bem diferente, tanto que em alguns episódios nem tivemos a presença do Clay. O arco principal era para ser sobre o US Marshall aposentado, mas por problemas internos tanto Clay quanto Lee Toric tiveram suas histórias adaptadas. Eu soube disso porque achei estranho que logo no quarto episódio o fiel Otto consumou sua devoção ao clube num ato de escape do auge do insuportável em sua vida, levando junto o Toric. Eu vibrei com a cena, sofri com o personagem e me deleitei com a maneira como conduziram esses impasses com os atores.

Não fosse esse roteiro “desperdiçado”, eu não teria percebido que houve adaptação na masterpiece original.

A sexta temporada de Sons of Anarchy teve altos e aparentes baixos. Eu classifico como altos os episódios que fecharam alguma história, ou então deram um encaminhamento muito claro. Foi assim com a morte do Toric e do Otto, foi assim com a explosão do barracão. Outros episódios eu digo que foram aparentes pontos baixos porque eu não conseguia ver à frente. Eu não sabia que os acontecimentos estavam abrindo caminho para coisas maiores, como a Tara, que passou a temporada inteira mexendo com sua saída de Charming, ou então a volta gradual do Nero às ruas, ou ainda as constantes saias-justas do clube com os irlandeses. Entretanto esses episódios foram a pedra angular para maiores construções, para os grandes acontecimentos.


Quero separar dois desses grandes acontecimentos para falar melhor: a morte do Clay/Gaalan e a morte da Tara.

Por um lado eu fiquei feliz com a morte do Clay. Pela história do personagem, achei que foi muito digna. Não foi uma morte qualquer, foi uma execução muito bem planejada. O clube conseguiu reunir Gaalan e Clay. Conseguiu se livrar dos irlandeses, vingou Donna, vingou Piney, vingou Tara, começou a vingar John Teller.

“Desta vez foi unânime.”

Essa foi uma saga que eu realmente não esperei que fosse terminar tão “logo”. De fato o calor da confusão entre Jax e Clay já estava leve, apagado, mas eu imaginei que isso fosse algo para uma series finale. Apesar de a série não ser clichê, eu insistia em imaginar esse final clichê. Agora não sei mais o que pensar.
No momento seguinte ao acontecimento referido acontece uma coisa que me marca muito. Tara havia ido ao aeroporto, onde os irlandeses e Clay foram mortos, para ajudar o Bobby, que havia levado um tiro. Logo antes de ela entrar no carro para ir ao hospital ela pega na mão do Jax. Naquele momento eu soube que algo havia mudado entre eles. Seja pelo plano que Jax já tinha traçado, seja pela intercessão do Wayne, Tara viveria.

Viveria.


Eu nunca tive uma crise de ansiedade, propriamente dita e catalogada pelo Manual Diagnóstico Estatístico de Transtornos Mentais, mas se fosse para ter, seria em alguma season finale. Ou é um episódio de acerto de contas, como foram as anteriores, ou então alguma merda muito grande está para acontecer. Kurt Sutter ficou com a segunda opção nesta sexta temporada.

“Este é o único lugar onde eu posso ser completamente sincero. A caneta e o papel não têm julgamento. Não têm voto.”

O episódio 13, que teve deliciosos 80 minutos, começa com Jax refletindo sobre tudo o que vem acontecendo ultimamente na vida dele. Seguindo os passos de John Teller. Revendo seus conceitos, estudando suas possibilidades, sendo congruente com seus sentimentos.

“Eu me sinto aterrorizado a maior parte do tempo. Com medo do que eu fiz, do que estou fazendo e do que eu precise fazer. [...] Eu preciso desse terror para me tirar da cama de manhã.”
Uma das primeiras cenas do episódio é a Gemma lavando louças, cuidando da casa. Ela sempre cuida da casa, da família. Ao seu lado, um garfo.


Nos minutos finais da temporada Jax consegue sua redenção. O medo de que a Tara conheça o Mr. Mayhem, o medo de ela entrega-los à polícia, tudo isso vai embora. Tudo começa a entrar nos trilhos novamente, sem mais ninguém para atrapalhar o que é bom.

Eu me irritei, xinguei o Sutter, chorei com o final do episódio, mas reconheço a maestria com que a temporada terminou. A Gemma cuida da família, sempre cuidou. 

A sétima temporada ainda não foi confirmada como a última, mas eu temo que seja. Simplesmente não consigo projetar nada para um futuro. 

Meu chão acabou. 

Meu amor pela série só cresceu.

E o seu?
—//—

Top 10 Melhores Séries de 2013 

03ª Posição: Sons Of Anarchy  
04ª Posição: Doctor Who 
05ª Posição: The Good Wife 
06ª Posição: Masters of Sex 
07ª Posição: Orange is The New Black 
08ª Posição: Homeland 
09ª Posição: Arrested Development 
10ª Posição: House of Cards

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