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Homeland: "Game On" 3x04


O episódio de Homeland dessa semana mostrou porque a série merece ser valorizada e que não se deve apedrejá-la por pequenos (ou grandes) deslizes. Reclamar, sim, mas Homeland é uma série com potencial, e que a qualquer momento pode explodir cabeças. Explodiu.

Homeland não é um simples procedural engessado americano onde os episódios tem início, meio e fim, virando a página no episódio seguinte. Por isso não podemos avaliar a série por um ou dois episódios ruins, como foi os dois últimos dessa temporada, pois a história é linear, contada sem pausa, estrutura que pode ser justificada em episódios seguintes, fazendo com que o rumo da trama possa justificar episódios anteriores.

Porém nada irá justificar, por exemplo, eles terem dedicado 80% do episódio "Uh... Oh... Ah..." ao plot de Dana, que ainda continua sem graça, pois o que está feito, está feito. O plot de Dana tem que ser mostrado como nesse episódio, com destaque secundário e não principal como naquele episódio. Game on -  episódio que finalmente - exaltou o que mais importa na série e deu pouco espaço para o que menos interessa, digamos assim, com um final que mostrou o potencial da série, fazendo com que enxerguemos novamente a sensacional série que é, e que estava perdida, e que felizmente conseguiu encontrar o rumo, antes que fosse tarde demais.


Game on nos levou do céu ao inferno. Centrado em Carrie, o episódio nos mostrou a agonia da agente numa clínica psiquiátrica, onde servia mais como prisão. Ficamos imaginando como Carrie sairia dali, temendo pela personagem e sentindo a sua dor. Paralelamente acompanhamos Saul, com suas geniais investidas à procura de terroristas, obtendo grande êxito. Mas o que nem imaginávamos, é que tudo isso seria encaixado (e bem) no fim, com Carrie honrando a farda, honra essa que fomos levados a duvidar.

Carrie é encurralada, levada a aceitar uma proposta do inimigo, fato que causou espanto, mesmo fazendo sentido, pois se o plano fosse verdadeiro, ela estaria traindo seu país, mesmo sem dar nomes, mesmo o seu país tentando, teoricamente, lhe matar. O momento levou a gente imaginar que Carrie ficaria de lado oposto a Saul, que até poderia ser interessante, mas contraditório a tudo que Carrie prezava. Mas o diálogo final soou como alívio, pois ela continua lutando pelo seu país, buscando incessantemente os terroristas, mesmo que para isso tenha que viver momentaneamente em uma psiquiatria. Sensacional, não dá pra dizer menos que isso.

Brody não foi visto nesse episódio, mas a sua filha sim, a garota problemática que tentou se matar pelos erros de seu pai, mas acaba se apaixonando loucamente e inconsequentemente por uma pessoa que, sim, lhe faz bem, mas que tem grandes segredos que possa fazê-la mudar de ideia. Um plot que está servindo para dar o que fazer para o núcleo da família de Brody, e que não atrapalhará a série caso seja mostrado dessa forma, sem grandes destaques. Mas estingue a possibilidade desse núcleo encaixar na trama principal da temporada, como vimos nas temporadas anteriores, que talvez nem seja sentido.


Game on, o jogo começou e a série está empolgando novamente, agora que conseguiu estabelecer uma trama que tem tudo pra ser consistente, vindo de uma série que veio com uma premissa que pouco futuro era imaginado, e mais uma vez eles conseguem estabelecer núcleos que sustentarão, com a ajuda de excepcionais atores, mais uma excelente temporada.

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