Breaking Bad "Ozymandias" 5x14


"Meu nome é Walter White, monstro dos monstros".

Na visão de Skyler, Marie, Flynn, Carol..., possivelmente de toda a Albuquerque. Mas dessa vez, pudemos entendê-lo e até absolvê-lo em algumas situações vistas em "Ozymandias", episódio tido como o melhor da série dentre os seis anos de vida, quiçá o melhor episódio dramatúrgico exibido na TV. Não poderia concordar mais.

O episódio foi um show, em todos os quesitos. Eu disse todos? Todos, reitero. Atuações fantásticas, incluindo da atriz Elanor Anne Wenrich, isso mesmo, mais conhecida como Holly. Guardem esse nome. Produção impecável, fotografia, edição de áudio, roteiro, trilha sonora, enfim. Incrivelmente impecável, além de trazer cenas extremamente impactantes, mesmo com "apenas" duas mortes, já previstas. O roteiro de Ozymandias, escrito brilhantemente por Moira Walley-Beckett, amarrou a trama da temporada de forma esplêndida, sem deixar nenhum resquício faltando, pedra sobre pedra ou grão de areia sobre grão de areia. Como se não bastasse, voltou com um assunto que estava pendente, desde a segunda temporada, assunto esse jogado na cara de Jesse, como um tiro de misericórdia:
"Eu vi a Jane morrer. Eu estava lá. E eu a vi morrer. Eu a vi sofrer a overdose e morrer sem ar. Eu poderia ter salvado ela. Mas não salvei."
Declaração que deixa ainda mais claro o homicídio doloso (sim) cometido por Walter, ao assassinar Jane sem precisar colocar um dedo sequer sobre ela. Walter sentiu muito aquele momento, mas não ousou em guardá-lo na memória, usando de forma sádica, perversa, bem propícia para aquele momento.


Momento esse que a espinha do telespectador gelou completamente. Jesse, olhando para os urubus, enquanto já dávamos como certo a sua morte. Se morresse ali, seria justo, pois apesar de tudo que sofreu, tudo que passou nas mãos de Walter, Jesse não é inocente o suficiente para ser taxado como vitima, porém sua morte, caso ainda aconteça, não deverá ser daquela forma, e sim, mais grandiosa, impactante ou até mesmo redentora, porque não. 

Hank sim, teve uma morte merecida e digna. Morreu de cabeça erguida, atirando. Ao lado de Gomes, não seria admissível vê-los saírem ilesos, mesmo com a grande proposta de Walter, pedindo clemência para o cunhado que o levaria para a cadeia. Hank ficou cego por vingança, agindo de forma descontrolada, egoísta, também tentando fazer justiça com as próprias mãos. Claro, se fizermos um ranking com os personagens que mais cometeram "pecados" em Breaking Bad, Hank não estaria no topo, mas estaria no "Hanking", com o perdão do trocadilho.

Em Breaking Bad, direi pela milésima vez, não há vitimas e podemos esperar a morte para todos. A maioria dos personagens tem motivos para morrer, exceto Holly, Flynn e Marie. Essa última até conseguiríamos julgá-la por ser complacente à Hank ou por ter aceitado dinheiro ilícito para o tratamento de seu marido, mas convenhamos que seria um "pecado" perdoável, dado ao momento. 

Em cena que não houve mortes, mas entrou para a história da série como uma das mais impactantes, Skyler se volta contra Walter, numa atitude completamente plausível, pois aquele mentiroso, que falava a verdade, não merecia crédito algum. Mesmo Skyler ter sido complacente com o marido, nunca aceitaria a morte de Hank, ainda mais acreditar que Walter não teria nada a ver com a história.

Detalhe que Skyler condenou Walter pela morte de Hank, equivocadamente, da mesma forma que Walter a condenou por ter contado a Flynn a verdade sobre ele. Ambos fizeram julgamentos precipitados, como a maioria dos personagens fizeram em muitos momentos da série, e nesse caso, completamente justificável pela situação.   

Por falar em Walter Junior, quem diria que veríamos ele se voltar contra seu pai. Todos imaginávamos que por Walter ser o seu (ex) herói, provavelmente seria complacente aos crimes de seu pai, mas claro, aquela situação não poderia ser feita de outra forma, porém se Walter tivesse contado a verdade para seu filho anteriormente...  


Enquanto isso, Jesse, a vida salva pelos conhecimentos adquiridos por ter trabalhado com Walter, segue sobrevivendo, acorrentado como um cão, sendo chantageado para que as duas únicas pessoas que estima em sua vida, não sejam mortos, mas sem a garantia que isso realmente não acontecerá. Uma saída genial para que o personagem não morresse naquele deserto, dando esperanças de um fim bonito (ou não) para o personagem que tanto amamos.

Sim, amamos Jesse, amamos Walter, amamos todos os personagens de Breaking Bad. Eu pelo menos. Sei que todos fizeram coisas horripilantes em certos momentos, sei que fizeram coisas que até o diabo duvida, mas sei afundo sobre o que tem dentro deles, mascarados pela transformação que a vida lhes causaram. Justas ou não. Escolhas mal feitas por ganância, ego, vingança, muitas vezes compactuadas por nós telespectadores, pois ao assistirmos Breaking Bad, desde o começo, desde a informação que a gíria que dá nome à série, que trata-se de "escolhas erradas de alguém que desviou-se do caminho correto e passou a fazer coisas erradas", justifica a montanha russa de amor e ódio por todos eles.


Ozymandias termina amarrando dois anos anos de mistério imposto pela barba e cabeleira de Walter, colocando a trama de forma linear, com tudo fazendo sentido, para que acompanhemos agora a história de Walter após seus 52 anos, armado até os dentes com uma metralhadora e com a ricina, voltando, talvez, para se vingar daqueles que transformaram sua vida no inferno que é. Se vingar de Walter White.

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