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Dexter: "Scar Tissue" 8x04


"O corpo forma uma cicatriz para sarar as feridas".

Foi o que pensou Dexter em certo momento, em relação à situação de Debra, com esperança de suas dores terem sido cicatrizadas, mas paralelamente, o caso tratou de outras duas cicatrizes: uma relacionada à Yates - ex-paciente de Dra. Vogel condenado a morte - e outra, aos fãs da série que se decepcionaram com ela ao longo das últimas temporadas. Nenhuma cicatriz está totalmente fechada.

Dexter vem com um boa temporada final. Após quatro episódios, a série volta a empolgar, mas a sensação de insegurança ainda é forte devido a falta de confiança nos produtores. Quanto melhor são os episódios, mas o temor de eles estragarem tudo no final. É a última temporada e ela deve ser perfeita, obrigatoriamente.

Não foi o caso de "Scar Tissue". O episódio teve trama bem desenvolvida e empolgante, mas pecou na execução em dois momentos: inadmissível acompanharmos Dexter no momento de seu "bote" ser tão "panguá" como foi, em sua tentativa de matar Yates no hospital. Esconder atrás da porta e depois "Tcharãmm!" não dá. Apreciamos Dexter por sua perspicácia na hora de seu ritual, mas dessa vez deixou a desejar.

O outro ponto de desconforto foi na cena final, onde Debra tentou suicídio e assassinato. Não digo em relação ao roteiro, que, bem construído, nos enganou muito bem, deixando-nos pensar que Debra estaria "regenerada". Claro, quando entraram no carro ficou claro a sua intenção, mas quando Debra chamou Dexter para conversar, com aqueles olhinhos brilhantes, após sessões de Dra. Vogel... acreditei que os problemas de Dexter estariam acabados. Tolinho, eu sei.


A cena em si foi mal feita. A edição demonstrou muito claramente os cortes. Poderia ter sido mais homogênea. Um "salvador" apareceu de repente, mas estranhamente salvou apenas Debra e não voltou para salvar Dexter. Tá, tava sem fôlego, podemos pensar. Mas foi meio sem sentido. Ele poderia ter participado do resgate ao lado de Debra, seria melhor.

Mas são dois pontos que não denegriram o episódio. O desenvolvimento está sendo competente e a história está cada vez mais interessante, após cada descoberta. Muito bom Debra estar ciente do que está por trás de Dr. Vogel, assim, pode tomar atitudes de forma coesa. Funcionou. Parece que Debra diminuiu o ódio que tinha por Dexter, pois viu nas fitas que ele é o que é, e não pode ser mudado. Mas diferente que todos pensavam, Debra resolveu acabar com o monstro criado por seu pai, ao invés de apenas aceitá-lo.

"Só irei matar Yates e estamos acabados". Era o desejo de Dexter após a descoberta de "espionagem" de Vogel, mas agora com essa tentativa de suicídio/assassinato de Debra, a doutora deverá ter mais utilidade.  

Enquanto isso, o núcleo mais sem graça da temporada segue sem empolgar. Batista quer Quinn sargento mas ele é um tremendo incompetente que ama Debra mas não admite para Jamie que tem crise de ciúmes, enfim. Nada com nada. O plot está destoando dos outros. E agora inventaram uma "filha" pra Masuka, com ele cantando ela e tudo. Que nojo...


Vale ressaltar e muito os efeitos de transições que o episódio trouxe. Poucas vezes acompanhamos isso na série e esse episódio trouxe três momentos excelentes nesse quesito, trazendo conforto e entusiamo ao momento. Parecia cenas de Breaking Bad, sem exagero.

Senti que citei mais coisas ruins do que boas do episódio, mas tive um sentimento bom após o fim, daria nota oito. Poderia ser um dez e o que eu mais quero é dar um dez para todos os episódios, mas infelizmente não foi dessa vez.

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