Doctor Who: "The Name of the Doctor" [Season Finale]


Dizer que uma season finale foi épica, espetacular, e todos os adjetivos possíveis para algo grande é meio clichê, pois é isso que se espera de uma season finale, que é o resultado final de toda a temporada que temos acompanhado. Claro que nem sempre elas são tão excelentes e épicas quanto o esperado, mas no geral conseguem cumprir suas expectativas. Mas isso se aplica à season finales normais, o que não é o caso de "The Name of the Doctor" que não é apenas uma season finale, mas também o prelúdio para um dos maiores eventos da TV mundial: o especial de 50 anos de Doctor Who, que será exibido nos cinemas no dia 23 de novembro, e em 3D. Nunca antes um episódio de série teve tamanha responsabilidade, e todos estavam ansiosíssimos para ver como seria, e é com muita alegria que eu afirmo que foi mais que bem sucedido, foi a melhor season finale da nova série e uma das melhores já feitas na história de qualquer série.

Desde já eu deixo claro de que será uma review enorme, pois TUDO aconteceu nesse episódio, desde aquilo já esperávamos e estávamos contando, até o que não fazíamos ideia e com certeza nunca iriamos imaginar. Portanto preparem-se pois iremos falar sobre "The Name of The Doctor"

Right then, Clara Oswald. Time to find out who you are.
Toda jornada de um viajante do tempo faz um rasgo no tecido da realidade, e o Doctor tem viajado no tempo mais do que qualquer um. Mas toda jornada tem um fim, e para o Doctor esse lugar é Trenzalore, o único lugar em todo o tempo e espaço que ele nunca deveria ir, o lugar mais perigoso do universo. Mas alguém está sequestrando seus amigos e os levando à Trenzalore, então ele é obrigado a ir até lá, onde sua vida passada, presente e futura corre grave perigo, e seu maior segredo está prestes a ser revelado.

O episódio já começou tirando nosso fôlego, com uma introdução de Clara falando sobre quem ela é o porque dela existir. E então vemos que ela tem estado com o Doctor desde o início de sua jornada, quando estava fugindo de Gallifrey com sua neta Susan, e o tem acompanhado durante todas as sua regenerações com apenas um intuito: salvá-lo. A Garota Impossível em sua missão de salvar o Doctor. Uma cena simplesmente linda, onde vemos em flashback cenas de Clara mesclada com cenas do Doctor na série clássica, sempre atrás dele. A partir dessa cena eu tive certeza de que estava prestes a ver o episódio mais épico de Doctor Who.


E então a história realmente começa na Londres vitoriana, quando Madame Vastra recebe de um assassino condenado informações valiosas sobre o Doctor, e então decide convocar uma reunião mental com os amigos do Doctor para saber o que fazer, e isso incluem Jenny, sua companheira, o mordomo/guerreiro Strax, Clara, e uma convidada ilustre: River Song (como foi bom revê-la), mas não a versão oficial de River, e sim sua consciência que foi salva na Biblioteca quando ela e o Doctor se encontraram pela primeira vez. Mas a reunião é invadida pela Grande Inteligência (que assumiu de vez a forma de Dr. Simeon) e os Whispermen (seus capangas) que estão lá para levá-los até Trenzalore, e lá fazer com que o Doctor revele seu grande segredo. Clara consegue escapar e conta ao Doctor tudo que aconteceu. Então os dois vão, com muita dificuldade, até Trenzalore, o lugar tão temido pelo Doctor, que descobrimos ser um cemitério de batalha, onde o Doctor e todos os seus amigos estão enterrados depois de sua batalha final. Desconcertante, simplesmente desconcertante.


Perseguidos pelos Whispermen, o Doctor e Clara fogem por caminhos secretos até encontrarem os reféns de Simeon, e é a partir desse ponto que tudo acontece, onde todos os acontecimentos da temporada nos levaram. O túmulo do Doctor se abre (graças a River que diz o nome do Doctor) e descobrimos que seu túmulo é a sua TARDIS, e em seu interior encontramos o rasgo no tecido da realidade deixado pelo Doctor, seu caminho esculpido através do tempo e espaço, seu túnel do tempo pessoal, passando por todos os momentos vividos por ele, de Gallifrey até Trenzalore. E então Simeon revela seu plano: entrar nessa fenda e reescrever toda a história do Doctor, frustrando todas as suas conquistas, transformando todos os seus momentos de alegria em dor e sofrimento. Uma vingança simplesmente maligna, resultado de todo o ódio que a Grande Inteligência tinha do Doctor por todas as vezes em que ele frustrou seus planos. Richard E. Grant deu uma performance digna de aplausos, e não poderiam ter escolhido um ator melhor para representar um vilão tão maléfico e cheio de rancor e ódio.


Então tudo começa a desmoronar: todas as vitórias do Doctor são reescritas, todas as vidas que ele salvou, civilizações inteiras, planetas, constelações, galáxias, todos começam a desaparecer, e parecia que não havia mais esperança nenhuma, até que Vastra começa a listar todos os momentos em que o Doctor foi derrotado, e menciona o Asilo Dalek. Como eles estão na TARDIS expandida, todas as memórias perdidas da pessoa começam a retornar, e então Clara se lembra, ao ouvir Asilo Dalek, de tudo. Ela começa a lembrar de todas as vezes em que encontrou o Doctor, e então percebe que a única forma de salvá-lo é entrando na fenda, para ajudá-lo a trazer de volta todos os bons momentos de sua vida. Foram inúmeras as teorias sobre ela, todas mirabolantes, algumas até a envolvendo com Rose, dizendo que ela poderia ser sua filha ou algo do gênero (o que explicaria a participação dela no especial de 50 anos), mas, no final das contas, foi algo tão simples que, como eu tinha afirmado antes, ninguém suspeitaria. Simples e genial. E então vimos que toda a história do Doctor, toda sua vida, se deve à ela, pois ela inclusive foi a que o induziu a roubar a TARDIS Tipo 40 ao invés de um modelo mais avançado. Uma cena que merece ser vista e revista, assim como todas as vidas de Clara.


Tudo então está salvo e restaurado, mas nem tudo: Clara se foi, espalhada por todo tempo e espaço. O Doctor não aceita isso e decide ir atrás dela para retribuir o favor, mas River, que esteve conectada à mente de Clara durante todo o episódio tenta persuadi-lo a não ir, e é aí que vemos a cena mais triste do episódio: o Doctor pega o braço de River e revela que estava a vendo o tempo todo, que ele sempre a vê, a todo o momento, mas que não se atreve a falar com ela com medo da dor. Então ele a beija da forma mais apaixonada possível, e diz a ela que é o momento de partir, e foi uma das despedidas mais lindas de todos os tempos, mas não um adeus, e sim um até breve, pois ambos nunca irão abandonar um ao outro de verdade. Impossível não se lembrar do final de "Doomsday" em que Rose se despede do Doctor. Não sei dizer em qual das cenas eu chorei mais.


E então chega a cena final, o momento esperado por todos, que prometia mudar a série para sempre. Depois que todos os ecos de Clara cumpriram sua missão, sua versão verdadeira cai no fluxo temporal do Doctor, onde ela vê todas as antigas regenerações em pequenos vislumbres, e aí ela ouve a voz do seu Doctor, o 11th, a guiando pelo caminho através de sua folha, a folha que soprou Clara para o universo, até eles se encontrarem, e então (tambores rufando) os dois avistam alguém. Clara estranha pois ela viu todas as versões do Doctor, todos os seus onze rostos. Se todos naquele lugar são o Doctor e só existiram onze Doctors, quem é aquele homem de costas para eles? E então acontece a trollagem do século: todos achávamos que o grande segredo do Doctor era seu nome, mas o seu nome não importa, o nome que ele escolheu para si foi Doctor, pois segundo ele o nome que escolhemos é como uma promessa feita, e aquele foi o que quebrou a promessa. Ele é o último Time Lord, mas não é o Doctor. Tenho certeza de que todos ainda estão recolhendo pedaços dos miolos depois disso. Depois de todo esse tempo, "The Name of the Doctor" não era sobre seu verdadeiro nome, e sim o nome "Doctor" que essa regeneração se recusou a usar. Agora sabemos que foi ele quem lutou na Time War, que foi responsável por dizimar bilhões de vidas, inclusive as de seu próprio povo, e por isso se tornou a vergonha do Doctor, seu grande segredo, que jamais deveria ser revelado.


Como prometido, a história de Doctor Who foi mudada para sempre, e não poderia ter sido mais épico. Steven Moffat mais uma vez provou a que veio, mostrando o quão brilhante roteirista ele é, pois com certeza ele tem tudo isso planejado a muito tempo, megalomaníaco como é. E com certeza foi um tapa na cara de todos que duvidavam da capacidade dele para escrever esse momento tão grandioso. Agora que a espera pelo especial será ainda mais sofrida, pois esperar 6 meses para a resolução de um cliffhanger como esse vai ser uma verdadeira tortura. Ainda mais que temos mais noção do como será o que nos espera, por exemplo, agora sabemos como o David Tennant (o amado 10th Doctor) irá retornar, pois as coisas estão acontecendo em seu fluxo temporal, mas também agora não fazemos a mínima ideia de como Rose irá retornar, pois todas as possibilidades cogitadas foram descartadas. Mas nada temam, caros whovians, pois vocês não serão decepcionados. Moffat irá nos presentear com o maior e melhor momento da história de Doctor Who (no meu caso será literalmente um presente pois meu aniversário é no dia 22 de novembro, um dia antes da exibição do especial). Lembrando ainda que o mais novo Time Lord é interpretado por ninguém menos que John Hurt, ator que dispensa apresentações, e que foi a escolha perfeita para fazer um personagem tão amargurado. Ele sem dúvida nenhuma irá brilhar mais uma vez.


E, claro, não podemos deixar dar crédito à direção e produção mais uma vez espetaculares. Acertaram na mosca criando um dos climas mais sombrios já vistos na série, com toda a urgência do que estava para acontecer. E ponto para os Whispermen, que mesmo não sendo tão assustadores tiveram um visual incrível. Além também dos mais uma vez efeitos especiais que deram show, principalmente ao conseguir unir Clara e os antigos Doctors e realmente nos convencer visualmente de que ela estava lá, em todos os momentos. Mas o grande triunfo da parte técnica foi a trilha sonora. Desde temas já conhecidos da série, como o de Gallifrey e o de River, como outros novos, todos eles brilhantemente compostos e conduzidos, que sem eles as cenas perderiam metade da grandiosidade. Murray Gold, é, sem dúvida nenhuma, um dos melhores compositores vivos, e sem dúvida nenhuma a série não seria a mesma sem ele.

Não pensem que só porque a temporada acabou não haverão mais posts sobre a série, muito pelo contrário! Ainda há muito o que comentar. Logo teremos um especial para deixar vocês por dentro de tudo que nos espera no aniversário de 50 anos, além de que ainda teremos "An Adventure in Space and Time", docudrama produzido pela BBC que irá mostrar como a série começou em 1963 e que terá David Bradley (famosos por interpretar Filch na franquia Harry Potter) no papel de William Hartnel, o 1o Doctor, e teremos uma review especial para o filme.

Doctor Who mais uma vez provou ser a série magnífica que é, um marco não só da ficção científica, mas de toda a história da TV, e que nesse ano irá se tornar ainda maior. Muito obrigado a todos vocês que tem acompanhado nosso trabalho. E que venha o grande aniversário de 50 anos, o especial de natal, e a 8a temporada, que já foi confirmada para 2014, ou seja, que venha mais Doctor Who! GERONIMOOO!!!
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