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Doctor Who: "Nightmare in Silver" 7x12


  "Good news, boys and girls: they're here!!"

Esse foi, sem dúvida alguma, o episódio mais esperado da Parte II da temporada depois da season finale, por dois motivos: primeiro porque foi escrito pelo motherfucking awesome Neil Gaiman, um dos melhores autores da atualidade, senão da história (sim, eu sempre vou bajular ele) autor de livros como Deuses Americanos, Lugar Nenhum, Coraline e Stardust - O Mistério da Estrela (os dois últimos adaptados para o cinema, um em animação em stop-motion e o outro em live-action, respectivamente) e de Sandman, uma das Graphic Novels de maior sucesso de todos os tempos. Além de ter escrito The Doctors's Wife, um dos melhores episódios da 6a temporada e considerado uma das obras-primas da série; segundo porque marcou o retorno dos célebres Cybermen, um dos vilões mais icônicos da série, atrás apenas dos Daleks, que estavam fazendo uma falta imensa pois tiveram pouquíssimas participações na nova série, apenas 8 episódios, sendo que em 2 deles nem foi participação oficial.

E então, finalmente, eles retornaram, com toda pompa e circunstância, e ainda por cima pelas mãos de um gênio. Mas acabou não sendo um retorno tão triunfal quanto o esperado.


No episódio, o Doctor e Clara levam Artie e Angie (que Clara cuida como babá) para o Hedgwick's World of Wonders, que um dia já foi o maior parque temático das galáxias (Disneyland que se cuide) mas hoje é o lar em ruínas de um apresentador maltrapilho, um jogador de xadrez anão e um disfuncional pelotão do exército. E quando os quatro chegam lá, a última coisa que esperam é o ressurgimento de um dos mais antigos e temíveis inimigos do Doctor: os Cybermen, que se acreditava estarem extintos mas estão de volta, muito mais poderosos e muito mais ameaçadores, prontos para "atualizar" o universo.

Não foi o episódio épico que todos nós esperávamos, mas também não foi uma decepção como o desastroso episódio anterior. Vamos falar do que funcionou e do que não funcionou.

Sem dúvida nenhuma uma das coisas que mais pesaram nesse episódio foi a falta de ritmo. A marca registrada dos episódios em que os Cybermen aparecem é a explosividade, pois eles são criaturas extremamente belicosas, verdadeiras armas ambulantes, sem qualquer vestígio de humanidade restante, com apenas o intuito de transformar mais humanos em Cybermen, mas nesse não foi assim. Demorou muito até pegar o ritmo, ficar empolgante como os anteriores, e quando finalmente aconteceu foi algo tão rápido que quando acabou eu pensei: "that's it?" Claro que não poderia ter ação explosiva durante todo o episódio, senão nem haveria espaço para o desenvolvimento da história, mas não precisava ter deixado tão morno. Um problema de direção gravíssimo, coisa que não tem acontecido em Doctor Who em muito tempo. Tomara que o diretor desse episódio não trabalhe mais na série, ou na vida (pelo menos enquanto não melhorar suas habilidades como diretor).


Outra coisa que não funcionou: os coadjuvantes. Sempre vemos coadjuvantes excelentes em Doctor Who, atores brilhantes interpretando personagens também brilhantes, mas não foi o que aconteceu aqui. Artie e Angie foram um verdadeiro estorvo durante todo o episódio. Além de não terem nenhuma utilidade real na história não acrescentaram em nada como personagens, ao contrário, atrapalharam, principalmente Angie, que acabou se tornando uma personagem irritante, com insights de adolescente revoltada totalmente desnecessários e fora de contexto. Até mesmo Warwick Davis, um dos atores anões mais famosos de todos os tempos, não estava totalmente à vontade como Porridge, o manuseador do Cybermen jogador de xadrez que depois se revelou ser o Imperador das galáxias, que estava a anos escondido. Ele foi bem, mas não tanto quanto é capaz de ser.


Mas, para felicidade geral da nação whovian, esses foram os defeitos mais graves. Tirando isso, foi só felicidade. Os Cybermen nunca estiveram tão bem, com um design totalmente repaginado (sim, lembra um pouco Iron Man), mais fortes, mais assustadores, mais Cyber do que nunca! E como vimos no final do episódio que um dos Cybermites (cyber insetos que ajudam na construção dos Cybermen) sobreviveu a explosão do planeta, com certeza os veremos de novo, e espero que em breve.

Também tivemos, mais uma vez, uma produção digníssima. Efeitos visuais deslumbrantes, ótima fotografia meio clara-escura (a cara do Neil Gaiman, que pode ser considerado o Tim Burton da literatura, só que mais genial), tudo de excelente qualidade. Além também do reuso da trilha sonora do arco de estreia dos Cybermen na 2a temporada, que ajudou ainda mais a nos deixar empolgados com o retorno deles. Eu tenho certeza que ninguém mais esqueceu aquela música apavorante de quando os Cybermen tomam vida no universo paralelo e começam a destruir tudo, eu não esqueci.

E claro, não podemos esquecer dele, o grande, o magnifico, o simplesmente fora do comum Matt Smith. Um ator em 1.000.000.000! É simplesmente inacreditável como tanto talento cabe naquele corpo tão franzino. Quando nós achamos que já tínhamos visto o melhor de sua atuação, ele samba na nossa cara e mostra mais uma faceta, quando os Cybermites transformam o Doctor em Cyber-Planner (que são criadores de planos de batalha e estratégias) e vemos sua personalidade lutando contra a do Mr. Clever (nome pelo qual o Cyber-Planner se auto intitula) e assistimos a um embate pessoal dentro e fora de sua mente contra si mesmo, e foi simplesmente fantástico! Uma das melhores performances de um ator que eu já vi até hoje, cheguei a arrepiar em alguns momentos. Sabemos que Matt está despontando em Hollywood, já tendo inclusive um filme para estrear em breve, dirigido pelo também extremamente talentoso Ryan Gosling. Se ele se firmar no cinema podem ter certeza que, quando menos esperarmos, ele estará recebendo um Oscar. Marquem minhas palavras


Quanto as referências, vimos algumas coisas super interessantes: durante o embate final entre o Doctor e Mr. Clever, durante a partida de Xadrez, a mente do Doctor é toda vasculhada pelas cyber engrenagens, e nós sabemos que quando a mente do Doctor é bagunçada, ele tem insights de suas regenerações passadas, como quando criaram uma cópia dele feita de Carne no episódio "The Rebel Flesh", e dessa vez não foi diferente, ele soltou duas das suas catchphrases mais famosas: "Fantastic" (9th Doctor) e "Allons-y" (10th Doctor), e foi realmente fantástico (péssimo trocadilho, eu sei).

Também foi revelado que foram os Time Lords que inventaram o xadrez. Ou seja, o jogo mais famoso da humanidade é na verdade de Gallifrey, e nem um pouco humano. Realmente é a cara deles, um jogo genial para uma raça ainda mais genial. Só não gostaria de jogar uma partida com algum deles, na primeira jogada já perderia...


Foi um episódio muito satisfatório, e conseguiu reintroduzir os Cybermen à série de forma digna, mas como deixou a desejar em alguns aspectos, o posto de melhor episódio da série escrito por Gaiman ainda é de The Doctor's Wife, em que a alma da nossa TARDIS é transplantada para o corpo de uma mulher, fazendo ela ser ainda mais sexy do que já era.


Eu sempre deixo a promo do próximo episódio no final das reviews, mas como a próxima review será sobre o espetacular "She Said, He Said", prelúdio da season finale, colocarei a promo lá. Até a próxima e: Fantastic, Allons'y e Geronimo!


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