Doctor Who: "Journey To The Centre Of The TARDIS" 7x10

                                                                                   
Depois de 50 anos, 33 temporadas, centenas de livros, HQs, áudios e jogos, e um filme, finalmente conhecemos o interior da nave mais sexy do universo, e valeu muito a pena!

Desde o início da série em 1963, uma das coisas que mais fascinou o público foi a TARDIS (sigla criada por Susan para Time And Relative Dimension In Space). Principal veículo dos Time Lords, as TARDISes são naves que se locomovem por todo tempo e espaço e suas características mais marcantes são o chamado "circuito camaleão" que permite que elas se misturem ao ambiente em que estiver (que parou de funcionar em 1963, fazendo com que a cabine telefônica fosse sua aparência definitiva) e o fato delas serem "dimensionalmente transcendentais", ou seja, ser maiores no interior e parecer menores no exterior (o que gerou um dos mais famosos bordões da série: "It's bigger on the inside"). Durante os 900 anos de viagem pelo tempo e espaço, vimos situações das mais inusitadas da relação Doctor/TARDIS, inclusive a vimos materializada no corpo de uma mulher em The Doctor's Wife, um dos melhores episódios da série escrito pelo gênio Neil Gaiman, mas nunca tivemos a oportunidade de conhecer a fundo o que há no interior dessa nave tão fantástica, e finalmente, esse dia chegou, e se nós já achávamos a Sexy incrível, nossa admiração por ela sem dúvida triplicou!
 

Uma equipe de resgate avista a TARDIS e vê nela uma boa oportunidade de lucro, então eles a arrastam para sua nave, fazendo com que seu sistema entre em colapso. Depois de sair para confrontar a tal equipe, o Doctor percebe que Clara ainda está presa dentro da nave quebrada, sendo caçada por um grupo estranho de monstros ossificados. Para persuadir o grupo a ajudá-lo na busca por Clara, ele tranca a todos dentro da nave e aciona a destruição automática (que nós já sabemos que não existe) e assim eles tem 30 minutos para encontrá-la.

Nós sempre soubemos que o interior da TARDIS era imenso, mas não tínhamos ideia da dimensão dessa imensidão, como o próprio Doctor disse: "Pense na maior nave que já viu. Pode imaginá-la? Bom, agora esqueça. Esta nave é infinita". Um mundo de tempo e espaço dentro de uma caixa azul, com infinitas possibilidades, e vimos um pouco desse mundo nesse episódio lindo. Vamos falar um pouco sobre o interior:

Fugindo das tais criaturas medonhas, Clara passa pelos corredores e avista alguns cômodos famosos como o Telescópio e a Piscina, até chegar na Biblioteca, onde encontra um livro chamado: A História da Guerra do Tempo, e folheando-o acaba descobrindo o nome do Doctor! Sim, ela descobriu simplesmente lendo! Felizmente a memória dela foi apagada depois que o Doctor resetou o tempo na TARDIS, mas percebemos o quanto seu segredo está desprotegido, e que realmente há algo tenebroso por trás desse segredo. No aguardo da season finale para descobrir!


Também descobrimos parte do seu funcionamento, por exemplo: vimos o Sistema de Reconfiguração Arquitetônica, que é o mecanismo responsável pela remodulação da TARDIS, que funciona quase como material genético para uma criatura viva. Não sei quantos a vocês, mas instantaneamente eu lembrei do filme Avatar, com aquelas árvores gigantes em que os Na'vi se conectavam. Só para constar, eu não gostei de Avatar, então não considerem essa comparação um elogio (apesar de ter ficado muito bacana).


Agora a parte mais cool da TARDIS: a fonte de energia. Muitas naves no universo sci-fi usam materiais peculiares como combustível, como os cristais de dilítio usados pela USS Enterprise em Star Trek, mas sem dúvida nenhuma nenhum combustível é mais impressionante que o da TARDIS: O Olho da Harmonia, uma estrela prestes a se tornar um buraco negro. Genial é pouco para descrever esse ideia tão fantástica, uma estrela tirada de sua órbita e mantida em um estado permanente de decadência. São coisas geniais como essa que fazem de Doctor Who a melhor série de ficção científica de todos os tempos, e eu não estou sendo fanboy quando afirmo isso, é a mais pura verdade.


Agora vamos falar sobre o episódio em si. Escrito por Steven Thompson (o maníaco sádico responsável pelo cliffhanger mais angustiante da história, a queda de Sherlock no episódio The Reichenbach Fall) foi um episódio que não nos deixou respirar nem um momento. Desde o início quando a TARDIS é capturada, até o clímax no Olho da Harmonia, em que descobrimos que as criaturas que os perseguiam eram na verdade eles mesmos, queimados pela estrela, pois havia uma fenda temporal aberta vazando o passado e o futuro, tudo isso acontecendo numa só tomada de fôlego. Para tentar resolver essa situação, o Doctor e Clara chegam ao coração da TARDIS, que explodiu devido à colisão com a nave de resgate, e é aí que a solução aparece: a queimadura na mão de Clara feita pelo dispositivo que aparece do nada era na verdade uma mensagem do futuro para os dois do próprio Doctor, que atravessa a fenda temporal e volta ao momento da colisão e entrega a seu eu do passado o tal dispositivo (um botão de reset) para resetar o tempo e fazer tudo voltar ao normal. Palmas para Steven Thompson, que provou saber criar um desfecho brilhante. Vamos esperar que ele faça o mesmo com Sherlock.

E se não bastasse tudo isso, o Doctor finalmente confrontou Clara e sua existência impossível, mas como sabemos ela não se lembra de nada das suas vidas passadas, e isso trouxe a ele uma segurança temporária, pois se ela não sabe, então não há nada o que temer, certo? Errado!. Eu não tenho uma teoria formada, mas tenho certeza de que a existência dela está ligada de alguma forma à profecia dos Silence, talvez ela seja a responsável pela Queda do Décimo Primeiro, o forçando a responder a tão temida pergunta: Doctor Who?


Quanto aos easter-eggs é meio complicado de falar porque o episódio todo foi um grande easter-egg! Referências para todos os lados, mas vamos aos mais relevantes: antes de chegar à Biblioteca, Clara entra em um cômodo parecido com um depósito lotado de coisas velhas, e vimos várias coisas da história do Doctor, como seu berço de Gallifrey, a maquete de papel da TARDIS feita por Mels, a lupa que ele e Donna usaram para investigar os assassinatos em uma mansão no interior da Inglaterra ao lado de Agatha Christie em The Unicorn And The Wasp, entre outros souvenirs. Outro importante foi quando o mais velho dos irmãos Van Baalen tenta desmontar o console da TARDIS e ouvimos ecos de todas as pessoas que já viajaram à bordo dela (Susan, Leela, Jo, Rose, Amy, Martha, Ian, além das outras regenerações do próprio Doctor) todos expressando sua perplexidade ao ver uma nave tão peculiar. Os fãs da série clássica (como eu) devem ter vibrado.

Agora um easter-egg um tanto peculiar: antes de entregar os controles para Clara, o Doctor gira uma chave com o nome Smiths gravado. Será que o nome do Doctor é realmente John Smith? Bem improvável, mas nunca se sabe. Ou então foi só um pedido do Matt pra fazer uma brincadeira com seu sobrenome, mas por acaso não foi, podem ter certeza. Como eu sempre digo, nada em Doctor Who é por acaso.


Como eu disse na review anterior, o nível de qualidade dos episódios só está aumentando, e com esse não foi diferente, pois conseguiu ser ainda melhor que Hide, em todos os sentidos. O próximo episódio está parecendo um tanto "simplório"  em comparação com os anteriores, mas não vamos tirar conclusões precipitadas, pois mesmo não parecendo podemos estar para ver outra obra-prima, ainda mais que teremos a volta do Team Doctor (Madame Vastra, Jenny e Strax) que vão ser um grande adicional ao episódio. Vamos ficar no aguardo. Até a próxima review, e GERONIMOOO!!

P.S: Ele disse Geronimo mais uma vez! Tomara que continue assim pelo resto da temporada!

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