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Um Balanço Sobre a 4ª Temporada de White Collar


Olá pessoal. Farei a review de White Collar, que volta dia 22 de janeiro. Enquanto isso, vamos fazer um balanço da temporada atual.

O final da terceira temporada de White Collar nos deixou apreensivos sobre os rumos que tomariam a quarta temporada da série. Antes de capturar Neal pela primeira vez, Peter passou 3 anos o perseguindo. Depois da Season Finale, Judgment Day, era difícil acreditar que toda a construção feita no decorrer da terceira temporada de Neal se consolidando como do lado da justiça iria por água abaixo e veríamos uma nova caça ao Neal. Os motivos pelo qual Neal optou pela fuga são compreensíveis, e apesar da visível chateação de Peter por não ter mais o parceiro por perto, ele pareceu entender também.

Nos dois primeiros capítulos, Wanted e Most Wanted respectivamente, vemos que o rumo tomado pelo seriado sai de sua zona de conforto já tão bem definida, com os casos da semana em Nova York. Neal e Mozzie estão em uma ilha em Cabo Verde enquanto Peter conhece o agente Kyle Collins, que se torna responsável por capturar Neal. Toda a parte investigativa tão bem amarrada da série foi deixada de lado para mostrar esses momentos de fuga e captura do vigarista. Um dos poucos momentos investigativos ocorre justamente no rastreamento feito por Peter da ligação telefônica para Neal. Com isso, podemos perceber que apesar da falta da trama investigativa, o caminho tomado pela quarta temporada é mais pessoal, mostrando aspectos como a amizade entre Peter e Neal.

Fora de sua zona de conforto nos dois primeiros capítulos, e mostrando uma temporada menos tensa e mais introspectiva na consolidação da personalidade de Caffrey, como quando ele faz a escultura na areia da vista de sua casa em NY, revelando a falta que sente da vida que tinha por lá, vemos a volta de Neal a divisão do FBI graças a sua ajuda para capturar o 4° homem na lista de procurados. A reviravolta acontece quando Peter é realocado para o departamento de evidências, sendo retirado da divisão de crimes do colarinho branco.

Com isso vemos em Diminishing Returns, terceiro episódio, justamente a nova dinâmica da relação entre Peter e Neal, onde o vigarista trabalha no caso da semana com o intuito de ajudar o parceiro a retomar sua carreira no White Collar. Vemos então duas vertentes se interligarem no episódio: o caso da semana, envolvendo um ladrão que atua a cada 5 anos e o rebaixamento de Peter, que está sob o jogo duro feito pelo agente Petterson no departamento de evidências. Adicionalmente vemos também uma prévia do resto da trama na qual Peter e Neal conversam sobre assuntos do passado, como o pai de Neal, nos direcionando já para os rumos da autodescoberta e mostrando assim os novos rumos da série.

Nesse capitulo, Peter conta com a ajuda de Mozzie para terminar um trabalho maçante no departamento de evidências. Isso nos mostra que talvez o próprio Mozzie esteja passando por transformações e amadurecimento em sua trajetória. Claro, Mozzie sempre ajudou quando era preciso, para que os planos funcionassem como o planejado, porém o objetivo aqui é retomar a carreira do agente Burke. Apesar de menos evidentes que as mudanças de Neal, Mozzie também tem mostrado sua outra face, com recorrentes ajudas ao FBI, apesar de toda a sua paranóia nata.

Em Parting Shots, no quarto episódio retomamos a tentativa de trazer Peter de volta para White Collar, tendo como trama central uma viúva que herda uma grande quantia após a morte do marido, fazendo com que muitas suspeitas surjam a respeito da jovem milionária. Temos também o retorno de Sara, com o envolvimento da Sterling Bosch no caso, no primeiro reencontro deles desde a fuga de Neal, resolvendo de vez (ou não) a situação entre os dois. Aqui temos também a retomada do assunto que promete ser o central da temporada, a infância e o passado de Neal, mostrando a reviravolta na situação com a morte de Ellen.

E se há tempos não tínhamos qualquer desconfiança sobre a linha tênue em que Neal caminhava entre o golpista que era e o homem com senso de justiça que se tornou, vemos em Honor Among Thieves surgir a tentação no caminho do protagonista. Abigail, uma golpista que conhece o trabalho que Neal fazia, consegue através de uma chantagem com que Neal roube uma peça do museu em troca de informações sobre Ellen. Temos nesse episódio situações que enchem a série de bons momentos, como o plano arquitetado ente Neal e Mozzie para o roubo e o ponto mais característico da série, a desconfiança de Peter em relação a Neal quando o primeiro se da conta que o roubo foi cometido por aquele em quem já confiava de certa forma. Isso mostra que apesar de todo o amadurecimento do relacionamento entre os dois, a desconfiança sempre estará lá, pois não importa o quanto o tempo passe, a relação dos dois foi feita em pilares frágeis, construídos na sombra do passado vigarista de Neal.

E se podemos ver todo o amadurecimento da trama, com questões cada vez mais complexas e reflexivas sobre os principais personagens, não seria estranho se isso afetasse diretamente os personagens secundários, principalmente se um deles tem tanta importância na trama e é tão querido, como é o caso do Mozzie. Em Identity Crisis o foco do episódio se volta para Mozzie que vê suas teorias de conspiração ganharem forma quando tentam matá-lo, relacionando-o com a bandeira da Guerra Civil. Isso nos revela passagens do passado de Mozzie, demonstrando que sua obsessão com teorias de conspiração tem um embasamento muito mais profundo e significativo do que simplesmente pura obsessão. Para ele o caso torna-se importante pois é sua chance de provar que a realidade que ele imaginava quando pequeno, de que seus pais eram espiões e para protegê-lo tiveram que abandoná-lo, é possível.

Trata-se de um ótimo episódio feito com o principal ingrediente da série, sua personalidade investigativa, e que rende ótimos momentos, não só um maior destaque para Mozzie, como também a cômica cena onde Jones, Neal e Mozzie simulam pertencer ao Culper Spy Ring. Vemos também um lado mais emotivo pouco explorado quanto pensamos em Mozzie, tão relacionado já as cenas mais engraçadas. Através de um teatro elaborado quando era criança, Mozzie conta a sua história para Neal, o que traça definitivamente a rota da temporada, uma vez que o próprio Neal está na jornada do autoconhecimento.

Já em Compromising Positions temos novamente duas vertentes: o caso da semana e a trama principal sobre o passado de Neal. No caso da semana, vemos um aspecto pouco (ou nunca) explorado em White Collar. O julgamento que acontece após os casos. Nos deparamos então com um caso de chantagem feita ao promotor por uma mulher contratada pelo réu. Do outro lado, vemos Sam ceder e se encontrar com Neal, mas com a condição de que tudo fique fora do alcance do FBI, o que coloca em risco a relação que Neal vem construindo com Peter.

Claro, uma das premissas da série é justamente o difícil e improvável relacionamento de um agente do FBI com um vigarista. E justamente voltamos a esse ponto, com Neal colocando a situação com Peter em um ponto delicado em busca de respostas sobre o passado. Porém, temos momentos impagáveis em Compromising Positions, como na cena em que Peter e Sara simulam um caso para serem fotografados para usarem de chantagem, tudo isso com o aval de Elizabeth, uma personagem secundária tão boa quanto Mozzie e com potencial para ser explorado mais para frente.

Ressurgindo do passado, Alex volta para o caminho de Neal no episódio Ancient Histor, em uma história que foi pouco provável, já que depois dos acontecimentos das ultimas temporadas, o relacionamento de Neal e Alex ficou no passado. Do outro lado, temos a continuação da história principal, quando Neal recebe um VHS de Ellen com informações que podem ajudar Neal a entender mais da história de seu pai, porém Neal pretende ver o filme com Sam, o que deixa Mozzie desconfiado e em um raro momento, recorre a Peter, mostrando a própria mudança que o personagem sofreu.

Se a história com Alex parecia ter sido mal encaixada no contexto da trama, em Gloves Off temos uma grata surpresa. Neal encarna novamente Nick Halden para se fazer o que melhor faz, se infiltrar para desvendar uma trama de troca de informações privilegiadas. Porém a informação é passada apenas para os vencedores de um torneio de boxe, no qual Neal consegue participar e trama para que o oponente seja Peter, também disfarçado. Por outro lado, é feita a promessa de que Neal não verá o vídeo com Sam, e após um mal entendido sobre a fita, Peter acha que Neal mostrou a fita e resolve procurar Sam no sistema no FBI, fazendo com que a casa de Sam seja revirada. Diante disso, Sam avisa Neal que está indo embora. Em seguida, Neal e Peter sobem no ringue e se enfrentam, levando o antes embate de personalidades para a esfera física.

Vemos que embora a situação seja complicada, talvez pela primeira vez motivado por Peter, a intenção foi boa, confirmada quando no meio da briga, mesmo com golpes descontrolados de Neal, Peter diz que só estava tentando protegê-lo. Novamente mostrando a fragilidade do relacionamento de Neal e Peter, Gloves Off nos mostra momentos de tensão e de incerteza sobre os próximos passos da série, mesmo se aproximando da Mid Season.

Novamente conduzindo duas histórias Vested Interest mostra a trajetória principal da trama, referente a vida de Neal: pai, Ellen, o informante do FBI e todas questões exploradas ao longo da temporada e na outra vertente, a história é sobre a possibilidade de furto de um milionário colete à prova de balas que será apresentado em uma conferência do FBI. Temos como momento de tensão o relacionamento abalado de Peter e Neal motivados pela ida de Sam, porém em seguida vemos a volta de Sam, mas que Neal esconde de Peter. Peter por sua vez não abandonou a investigação sobre Sam e acaba identificando que Sam está morto. Quando Peter revela isso a Neal, vemos que apesar da situação entre eles estar fragilizada, Neal ainda acredita no caráter do agente e se compromete a verificar quem é na verdade Sam.

O desfecho da trama já era praticamente esperado. Após a constatação da morte de Sam, algo já nos levava a pensar nele como o pai de Neal. Ainda tem pela frente seis episódios para encaixar todas as peças em seus lugares. É interessante ver como algumas características de desconfiança entre Neal e Peter por mais inocentes que sejam, permanecem intactas, como quando Neal diz a Peter que pode ou não ter forjado a própria morte algumas vezes.

White Collar retorna a 4ª temporada dia 22 de janeiro, tendo muitos pontos para resolver e uma agonia sobre quais rumos a série tomará. Porém, com a renovação garantida da 5ª temporada, temos a certeza de que não é dessa vez que Neal passará definitivamente para o lado dos mocinhos. Afinal, essa dualidade é a essência de White Collar.

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