O Final de American Horror Story "Asylum"


Chegou a hora de dar adeus ao nosso manicômio preferido.

Ryan Murphy acerta mais uma vez. A segunda temporada de American Horror Story chegou ao fim, e da mesma forma que em sua temporada de estreia, fechou a trama de forma coesa e significativa, dando um fim para todos os personagens. Dessa vez, Murphy resolveu dar um final feliz aos principais personagens, fato que agradou a muitos, mas não a mim, especialmente. Falo mais sobre isso mais no fim do texto.

A temporada e o enredo foram completamente diferentes da temporada anterior, mas a estrutura foi bem parecida. Em um certo momento, AHS deixou a gente perdido, alucinado, perplexo com tudo que estava acontecendo, porém num certo momento, nos deparamos com a resolução de toda essa bagunça de forma sensacional, juntando as peças do quebra-cabeça, dando sentido a todo o enredo da temporada. Chegamos no fim e ficamos satisfeitos (quase) com o destino que ele deu à trama, bem explicado pelo documentário narrado por Lana, a inesquecível Lana "Banana".

Personagem essa que roubou a cena, roubou a temporada. Começamos pensando que a grande protagonista da série seria a Irmã Jude, porém os últimos episódios da série enriqueceram e muito a personagem Lana, tornando-se a protagonista dos acontecimentos finais. "A ideia era essa", disse Murphy em entrevista posterior. Ele queria que acompanhássemos a saga de uma repórter ambiciosa que chegou ao fundo do poço, conseguindo sair da merda para depois atingir a redenção, levando o manicômio Briarcliff ao chão. Palmas lentas em pé para esse núcleo da temporada que foi simplesmente sensacional.


O fim da série culminado no face a face de Lana com seu filho "Bloody Face Jr", amarrou o roteiro de um jeito incrível, trazendo imenso conforto àqueles que ficaram perdidos com o desenrolar da trama.

O assunto que incomodou-me um pouco foi referente aos acontecimentos referentes a Kit, após sua saída de Briarcliff. AHS é uma série que te deixa louco em diversos momentos devido a sua horrorosidade, mas a surpresa maior foi quando vimos que Kit agiu de forma completamente no sence ao ganhar sua liberdade.

Kit finalmente sai do inferno e leva consigo sua amada Grace. Ótimo. Mas ele acaba dando de frente com seu "ex-amor", cujo dava como morta e ainda segurava um filho seu. Quando nos damos conta, Kit estava no meio de um relacionamento polígamo. Tudo bem que a ideia foi de Alma, mas ele não deveria ter partido para isso. Estava na cara que isso não ia terminar bem.

E não terminou mesmo. Alma acaba assassinando Grace pelas costas. Kit perde seus dois amores ao mesmo tempo. Grace vai para o caixão e Alma vai para o inferno. O inferno de Briarcliff.


Outra coisa que deixou-me irritado: porque diabos Kit não fugiu com Alma e seus filhos? Ele nuca poderia ter "deixado" Alma ser levada para aquele lugar. A-Q-U-E-L-E. Kit deveria ter imaginado que ela não duraria muito tempo lá, como não durou. O mais estranho é que ele ficou meio que indiferente com a estadia de Alma naquele lugar. Poxa, devia ter fugido de lá com seu filhos e com sua amada assassina.

Então o mais estranho acontece. Após a morte de Alma, Kit se apega à Irmã Jude de uma forma surpreendente. Até aí, tudo bem. Kit passa a visitá-la frequentemente em Briarcliff, se tornando um ótimo companheiro, mas tirá-la de lá e levá-la para morar consigo? E com seus filhos? Eu realmente não gostei dessa atitude e achei bem forçado. Gente, é a Irmã Jude! J-U-D-E. Era melhor ele ter levado o diabo para casa. 

Tudo bem que foi uma boa ação, mas ele já tinha garantido seu lote no céu apenas com as visitas. Não precisava tanto. Jude se adaptou à nova família e tornou-se uma grande companheira para seus filhos, mas não dá pra garantir que Jude não iria fazer uma besteira a qualquer momento. Você deixaria Jude perto de seus filhos? Então...

Ainda mais deixá-los sozinhos com ela, passeando pelo bosque. Acho que a Irmã Jude merecia ter sido enterrada em Briarcliff. Literalmente.

Os filhos de Kit parecem ter dons para acalmar o diabo e felizmente nada de ruim aconteceu com eles.

Contudo, Jude foi embora da melhor forma. Finalmente cedendo ao beijo mortal. Kit também morreu de forma digna. Indo morar com os alienígenas. A morte de Kit era questão de tempo e o safado do Ryan Murphy inventou de deixar seu final em aberto, para que cada um pudesse imaginar para onde ele teria ido. Foi pra luz, abduzido pelo desconhecido. Gostei, achei ousado e muito interessante.

Não dá pra terminar esse texto sem mencionar a excepcional produção de AHS e o excepcional trabalho de Jessica Lange e Sarah Paulson. A produção foi excelente, direção de arte, fotografia, efeitos visuais, maquiagem, enfim. A série deu um show nesse quesito. Sem falar nos efeitos de câmera que tornou-se corriqueiro no season finale.


Jessica Lange já havia arrebentado na primeira temporada da série, mas nessa... Putz, incrível. Se ela já ganhou várias indicações e prêmios pelo seu primeiro trabalho na série, imagine agora? E o que falar de Sarah Paulson. Uma grata surpresa. Não dávamos muito para ela no início, mas o desenvolvimento de Lana foi incrível! A personagem roubou a série a partir do meio da temporada. Tudo isso só foi possível devido a importância dada por Murphy à personagem e também, pelo excepcional trabalho da atriz. Palmas lentas em pé para Jessica Lange e Sarah Paulson. Mas todo elenco é muito bom.

Enfim, damos adeus à Briarcliff, Lanna Banana, Irmã Jude e todos os outros. Os pontos negativos que mencionei refere-se à forma estranha que absorvi, mas não quer dizer que seja uma falha. Eles quiseram mostrar desse jeito, entendi, mas não gostei. Contudo, nada tira o mérito de American Horror Story Asylum que nos deu 13 ótimos episódios, trazendo algo diferente do que vimos atualmente, algo que precisávamos para sairmos desse marasmo de séries ruins que assola a humanidade.

Nota: 09/10 
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