Primeiras Impressões de Arrow




Não tinha como dar errado.

Arrow é, como todos nós sabemos, a substituta de Smallville na grade da CW. Uma vez que as aventuras do Superman acabou, o canal saiu procurando outro super-herói que preenchesse a lacuna deixada pelos seus dez anos de sucesso. E não, não há nada de ruim nisso.

Se observarmos bem, a CW tem tudo para fazer sua nova investida heroica impecável. Ela teve dez longos anos para aprender com os erros -- e enrolações -- de Smallville. Teve dez longos anos para superar a dramalheira adolescente e escolher, sabiamente, fazer de Arrow uma série adulta.

De cara, foi isto o que mais amei. Não teremos que passar por aquela fase de descobrimento e aceitação do herói, nem teremos que suportar o mimimi de uma menina rejeitando o amor puro e infinito do protagonista. Aqui as coisas são mais sérias.

Para começar, Oliver Queen já é o Green Arrow e já tem seus objetivos traçados. No caso, ele tem a missão de libertar Sterling City das garras dos corruptos. O par romântico dele, a idealista advogada Dinah Laurel Lance, não rejeita Oliver por capricho. Na história dos dois tem um namoro na época que ele era um playboy ordinário, e tem a irmã dela que morreu enquanto transava com Oliver. É muita mágoa -- de verdade -- para ser superada.

Em histórias como esta não pode deixar de existir a figura do melhor amigo. É imprescindível que exista alguém que conheça por completo o herói na sua forma humana e esteja sempre ao redor correndo o risco de conhecer o amigo mais do que deveria. Em Arrow, este papel é de Tommy Merlyn. Oliver se foi por cinco anos e voltou outro, mas Tommy permaneceu em Sterling e continuou o mesmo playboy de sempre. 

Contudo, o fato de ele estar sempre por perto já trouxe indevidas consequências. Quando os dois são sequestrados e Oliver derruba os três sequestradores, Merlyn está se recuperando da dopagem. A dúvida fica no ar. Ele não afirma se viu o que realmente aconteceu, mas a pulga está atrás da orelha dele -- e ele nem faz questão de esconder. Além disso, a absurda coincidência do misterioso encapuzado atacar justamente perto do local que o próprio Queen escolheu para a festa, incitou ainda mais sua curiosidade. Provavelmente, Tommy será o primeiro a descobrir a identidade do maluco encapuzado. E ainda não dá para saber como ele usará esta informação.

Merlyn pode ser um grande aliado, mas pode ser também uma grande pedra no sapato de Oliver. Tudo isso por motivos de: Laurel. Mesmo que Ollie tenha falado para ela ficar longe dele, porque ele não "mudou nada", é óbvio que eles vão ficar se atraindo todo o tempo. Afinal, esta é a lei das almas gêmeas da TV.

Como citei acima, Green Arrow já tem uma agenda a cumprir em Sterling. Por flashbacks que iremos ver no decorrer da temporada, será mostrado como ele chegou a este ponto, como ele deixou de ser um rapaz supérfluo e passou a se importar tanto como o que fazem com sua cidade. Pelo que já vimos, a transformação está conectada ao seu pai, que depois do naufrágio revelou não ser o homem que o filho pensava. Ligada a isto também está a mãe de Oliver, que, num ato de puro amor, armou o sequestro do filho -- recém chegado de uma ilha deserta -- para descobrir o quanto ele sabe. Já dá para perceber que, se ela não é uma das grandes vilãs da histórias, ela é, pelo menos, a pior mãe do planeta.

Aliás, isso fica bem perceptível assim que Oliver a revê. Ele não é tão caloroso como seria natural de um filho com a mãe. Mas, assim que chega em casa, ele expressa muito mais felicidade ao reencontrar a empregada e a irmã. E demostrações de que ele confia muito em sua cozinheira vão sendo dadas no decorrer do episódio.

O primeiro vilão que ele enfrenta é Adam Hunt. Juro que não tem nada a ver com minha fixação com super-heróis, mas eu achei magistral a forma como ele lidou com o caso. Claro, teve lá suas doses de exagero, como o fato de ele colocar seu laboratório no galpão da antiga fábrica do pai e ninguém notar. Porém, num mundo como este exageros assim são coisas banais. Ou melhor, sem eles nada faria sentido.

Assim, ele dá um verdadeiro show derrubando seguranças e policiais, e implantando uma flecha com um dispositivo que invadiu a conta de Hunt e transferiu, para a conta de suas vítimas, todo o dinheiro que ele tinha roubado. Só nos resta aplaudir de pé.

Coincidentemente, a advogada do povo contra Adam era Laurel. Achei bom que depois de descobrir sobre o tal milagre, sua colega de trabalho diz que Sterling City deve ter um anjo da guarda. Incrédula (e magoada) com o ex do jeito que é, quero muito ver a cara de Laurel quando ela descobrir quem é o tal anjo.

Uma coisa que Arrow inteligentemente usou na questão dos cinco anos de Oliver longe de casa, foram as referências culturais. Visto que ele morreu em 2007, ele não teve a oportunidade de ver o belíssimo (ou não) final de Lost, o que Tommy ressalta com aquele quê básico de ironia. Ele também não conheceu Crepúsculo, que teve seu primeiro filme lançado em 2008. Simplesmente amei que a série se lembrou disso. Deu um toque a mais de realidade à história.

Quantos às atuações, começo a contrariar a mim mesma. A CW não poderia achar, em nenhum lugar neste universo, alguém melhor que Stephen Amell (Hung, ReGenesis) para o papel de Oliver Queen. O homem é bonito até dizer chega, e encarna muito bem o personagem. Tanto na caracterização do Oliver-playboy quanto na do Oliver-herói, seu físico saiu perfeito. O cabelo, as cicatrizes, a barba, o olhar, o sorriso... tudo encaixou. Eu, que vi Smallville e jurei que ninguém seria melhor que Justin Hartley na pele do Arqueiro, paguei língua. Mesmo achando que em momento de emoção "de verdade" Amell precisa ser mais expressivo, vou ousar e dizer que ele é perfeito. Ele é o Green Arrow.

Conheci o trabalho de Katie Cassidy com a vilã que ela fez em Gossip Girl. E se era vilã, é claro que ela não me agradou. Mas sua mocinha em Arrow até que é ajeitada. Como não podia deixar de ser, ela traz consigo um idealismo forte, uma inocência e uma vontade de mudar o mundo inerente às mulheres que arrebatam os corações dos protagonistas. Nada de novidade até aqui. E Katie está dando conta do recado que lhe deram. Quero ver como ela sairá se derem mais do que uma mocinha para ela interpretar.

Tem ainda o pai de Laurel, que acontece de ser o chefe da polícia da cidade. O homem teve uma de suas filhas mortas e outra profundamente machucada por Oliver, então certamente ele não é um fã de carteirinha do bilionário. O que vejo aqui é que desta relação de ódio pode acabar nascendo uma grande parceria. Tal como Batman e Gordon, acredito que o ex-sogro ainda vai contar muito com a ajuda do ex-genro para combater a sujeira de Sterling. É dos extremos que nascem as maiores amizades.

As outras peças do jogo -- a irmã que logo será integrante da rehab, o segurança contratado pela mãe para vigiar os passos do jovem herói, o padrasto que parece mais um cúmplice do que qualquer coisa -- são detalhes importantes, mas que só deram as caras neste piloto para mostrar que estão lá. Acredito que todos eles ainda serão peças definitivas no futuro do Arqueiro, visto que ele valoriza muito sua irmã, precisa se livrar  do segurança e parece que não vai conseguir tão fácil, e não confia no padrasto.

Preciso falar também da trilha sonora da série. Especialmente na hora do shirtless, não deu para notar que a música ajudou bastante no clima. Não quero desmerecer a série... longe disso. Mas sinceramente a música que fizeram como tema do Green Arrow ficou ótima. Go CW.

Sim, rasguei toda a ceda que podia para Arrow. Gostei demais, amei demais. Como falei no começo, acho que o canal pode fazer deste projeto sua obra-prima, pois ela tem uma antecessora para se espelhar. A única coisa que temo é que, com o passar do tempo e com as possíveis renovações da série, o elenco original vai saindo, e parte da essência que vimos aqui irá se perdendo. Mas, óbvio, isso são ossos do ofício. O melhor é parar de pensar sobre o que pode vir a acontecer e curtir enquanto tudo está lindo como agora.

Arrow é a série da Fall Season 2012 que digo sem dúvida: vou acompanhar. Sem medo e de coração aberto, quero ver como será o desenrolar da história do Green Arrow. Que já é, claro, meu novo super-herói favorito.

Baseada em personagens de histórias em quadrinhos e graphic novels publicadas pela DC Comics, Arrow é de Bonanza Productions Inc. em associação com a Berlanti Productions e Warner Bros Television, com produtores executivos Greg Berlanti (Lanterna Verde, Brothers & Sisters), Marc Guggenheim (FlashForward, Eli Stone), Andrew Kreisberg (Warehouse 13, The Vampire Diaries) e David Nutter (Smallville, Supernatural, Game of Thrones). Melissa Berman Kellner (Eli Stone, Dirty Sexy Money) é co-produtora executiva. O piloto foi dirigido por David Nutter de um teleplay feito por Andrew Kreisberg  e Marc Guggenheim, com história de Greg Berlanti e Marc Guggenheim.


Só mais um gostinho do que veremos adiante...

Cadê meu ar, meu deus?
Tá malhando, hein novinho?
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