Arrow: 1x02 "Honor Thy Father"




Nossa casa é um campo de batalha. Todos querem te pegar. Querem que você se abra, que seja alguém que você não sabe se é mais. Ou posso estar errado. Talvez, depois de 5 anos sozinho, você não esteja tão louco quanto tem direito.

"Honor Thy Father" não foi tão bom quanto o piloto, mas cumpriu sua tarefa de manter o nível de atração de Arrow. Embora o episódio tenha sido menos movimentado do que o primeiro, sua história era inevitável. Mais cedo ou mais tarde, Oliver teria que passar pelo pente fino da família questionando-o sobre os cinco anos na ilha.

A série fez bem esta parte. Nem os parentes nem a imprensa deixam Ollie em paz. De um lado ou de outro tem sempre alguém perguntando o que aconteceu na ilha. Nada mais natural, claro. Aliás, é até um pouco estranho que não tenham mostrado a imprensa invadindo a tal ilha e revirando-a de cabeça para baixo. Eles certamente encontrariam muito mais do que esperam lá.

Agora fico imaginando até quando Oliver vai conseguir manter seu disfarce de "homem cheio de traumas que não quer se abrir". Para a irmã insistente (e enjoadinha), ele disse que precisa de um tempo para aprender a falar sobre o assunto. A questão é: quanto tempo ela dará para ele?

Temos que ressaltar também o nível de enjoo de Thea. Cheguei a rir quando ela comparou o inferno dela com o do irmão, equiparando as dificuldades que ele enfrentou com a vida de patricinha solitária que ela leva. Sim, eu sei que ela não faz ideia do que realmente aconteceu. Mas, de qualquer forma, é muito fácil imaginar que sobreviver (supostamente) sozinho numa ilha por cinco longos anos é, provavelmente, mais difícil do que ser bilionária e ter alguns problemas com a família.

Ainda neste tópico da ilha, o que eu suspeitei no início acabou se revelando verdade. Vale lembrar que eu não conheço a fundo a história do Green Arrow pelas HQs, e nas reviews falo unicamente da série da CW. Desta forma, encaro todas as novidades da vida de Oliver Queen como novidades de fato, como é o caso da descoberta de que ele não estava sozinho em Lian Yu.

Na verdade nem era difícil de imaginar isto. Ele não poderia aprender tudo o que aprendeu lá sozinho. Seus novos conhecimentos vão desde novos idiomas, passando pelo manuseio do arco e flecha, pela ótima pontaria, e pela habilidade de derrubar cem homens de uma vez. Como vimos na cena final, ele foi surpreendido pela flecha de um morador da ilha, vestido da mesma forma que ele se veste agora. Mal posso esperar para saber mais sobre que povo é este.

Indo para Starling City, o bandido a ser derrubado desta vez foi Martin Summers (Ty Olsson, Supernatural). Coincidentemente, mais um alvo de Oliver era também um alvo de Laurel. Não sei se o esquema de bandidos versus mocinhos vai continuar assim, com os dois lutando do mesmo lado contra o mesmo inimigo. Mas o fato é que se tais coincidências continuarem se repetindo, ela estará cada vez mais perto de descobrir a identidade do louco do capuz verde. Talvez esta até seja a intenção da série.

No final, Martin foi parar na cadeia, mas aí descobrimos que o "temível mafioso" não passava de um fantoche para a Tríade, e que a verdadeira vilã que Ollie vai enfrentar na questão é China White (Kelly Hu, The Vampire Diaries), a líder do cartel de heroína. China é uma grande vilã no universo Green Arrow, daí o porquê de Oliver não conseguir derrotá-la no primeiro (ou segundo) encontro. Certamente ainda a veremos muitas outras vezes.

Falando do primeiro encontro dos dois, até eu fiquei surpresa com a visita de Ollie à Laurel. Dou toda razão para ela: como ele pede para que a moça fique longe dele se ele não fica longe dela? Tá, a gente faz de conta que é porque em Starling City não existe mais ninguém que possa ouvi-lo... principalmente sua irmã que tinha como hobby conversar com uma pedra onde tinha o nome dele. Ai ai.

Mas não é por isso que deixaremos de apreciar o início da nova amizade (colorida) dos dois. Fiquei aqui refletindo com a safadeza de Arrow depois daquela fala sutilíssima de Oliver:

Pensei em muitas coisas na ilha, mas tinha algo em que pensava todos os dias. Cheguei a sonhar com isso. E prometi que se tivesse a chance de fazer de novo... faria com você. [...] Tomar sorvete.

Precisa dizer que era facinho de pensar que ele tiraria outra coisa daquela sacola? É muita safadeza oculta para um sorvete, viu.

ressurreição oficial foi outro ponto interessante deste 1x02. Foi algo bem pensando pelo roteiro, e mais uma chance de Ollie contar pelas metades o que aconteceu. Já o fato de sua mãe querer que ele trabalhe na empresa da família e insistir para que ele mantenha o guarda-costas é surpreendente. Somemos isto ao encontro dela com o "homem misterioso" (possivelmente John Barrowman!) onde ela garante que o filho não sabe de nada e temos a seguinte pergunta: será que Moira Queen tem mesmo um coração ou ela quer ganhar o Oscar de melhor atriz?

Voltemos à cena do ataque na casa de Laurel. Fiquei apreensiva pensando que já naquele momento Oliver teria que lutar como Green Arrow, o que, obviamente, exporia sua identidade para a ex. Ainda bem que Diggle estava lá e salvou a pátria. O problema, (sempre tem que ter um), é que a partir daí ele percebeu que o patrão tem habilidades que não deveria ter. E para alguém com a sagacidade e experiência de John Diggle, que, aliás, não sai da cola de Ollie, é questão de tempo até ele somar um mais um e chegar no novo vigilante da cidade.

O mesmo não pode ser dito de Quentin Lance. Entre as discussões com a filha e as ameaças ao ex-genro, o que o detetive mais fez foi falar. Na hora em que ele finalmente ficou cara a cara com Green Arrow, nem para atirar na perna e imobilizar o sujeito de uma vez. Bastou uns dez segundos de mais ameaças e Oliver não só escapou como pegou o bandido que Quentin nunca conseguiria pegar "dentro da lei" -- numa só flechada.

Para terminar, precisamos ressaltar a atuação de Stephen Amell em cenas de mais emoção. Deem cinquenta cenas de ação para ele fazer encapuzado (ou sem camisa) e ele se sairá muito bem. Mas quando chega a hora de colocar Oliver Queen humano em prática, falta mais expressão, mais vida para o personagem. Isto já era perceptível no piloto, mas ficou mais evidente em "Honor Thy Father". Em minha opinião, não vejo esta deficiência como um grande defeito. O resto da série está ótimo. Com o tempo é certo que Stephen se acostume e aja com mais naturalidade.
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