True Blood: 5x02 "Authority Always Wins"




Finalmente começou a temporada que Alan Ball nos prometeu. Em "Authority Always Wins" fomos apresentados à Autoridade e ainda pudemos ter um "gostinho" de Russel Edginton, numa cena tão típica e macabra de True Blood que fica até difícil de tirar da memória.

Por incrível que pareça, a Autoridade é muito mais estúpida do que se imagina. Ao aprisionarem Bill e Eric, imaginei que todas as parafernálias do interrogatório eram para puni-los pelas suas últimas ações, incluindo o assassinato de Nan Flanagan e a péssima experiência com Antonia. Mero engano.

Os temíveis e poderosos vampiros questionavam o envolvimento de Bill e Eric com o "Movimento Sanguinista", que acredita na interpretação literal da Bíblia dos Vampiros: "E seus corpos nutri-los-ão, o sangue correrá em si. Como o besouro nutre os pássaros, os homens nutrirão os vampiros.". 

Sério mesmo, Autoridade? Bill e Eric seguindo os mandamentos do Testamento Original e papando todo ser humano que passa na frente? Nada poderia ser mais absurdo, ilógico e estúpido. Não existem vampiros mais "adaptados à humanidade" do que esses dois. E eles não apreciam só a companhia humana não. Eles apreciam a companhia até de uma certa fadinha também...

O bom é que Bill, mesmo sem sua coroa, continuou sendo rei em pose, lábia e atitude. Com um belo jogo de palavras e a bomba de que Russel não só está vivo como também está solto, ele conseguiu trocar sua vida e a de Eric pela do ex-rei de Mississipi. Este sim, Autoridade, este sim vai atrapalhar seus planos de "integração".

Tenho que ressaltar a lealdade de Bill e Eric enquanto eram torturados. Nenhum dos dois se traíram e não traíram Nora também, que, apesar disso, parece não ter se saído bem da situação. Porém, mesmo que o tópico do interrogatório deles não tinha o mínimo sentido, eles em nada cederam (e olha que a "solução de prata eletrolítica refinada" na veia parecia bem convincente...). Ao contrário. Ainda num momento como aquele eles foram sarcásticos quanto à suposta liberdade que o outro tinha ganho por ceder à dor, e novamente as melhores e mais engraçadas cenas ficaram por conta da dupla dinâmica E&B. Ponto positivo para o roteiro e os atores.

Não dá para dizer o mesmo de Sookie e Lafa. Está certo que o tempo de cada episódio é curto e não dava para mostrar muita coisa diferente do que vimos. Mas que saco foi ver Tara correndo pra lá e pra cá, quebrando as coisas, fazendo carinha de má e blá blá blá. Quando Lafa fez de conta que ia enfiar aquela estaca nela eu até comecei a sorrir... e imediatamente minha felicidade foi embora depois do discurso meloso de Sookie.

O destaque em Pam, no entanto, fez valer as partes insuportáveis com Tara. A madame era uma bela cafetina em meados de 1905. E, apesar de ser apenas humana naquela época, não tinha muito medo dos terrores da cidade, especialmente por ter se acostumado a ver suas garotas assassinadas.

Eric conheceu sua "filha" depois de salvá-la de um assassino no meio da madrugada, numa típica performance de herói, justamente o inverso do que ele é. Mas foi lindo de ver. O início de tudo, da longa jornada de companheirismo entre ele e Pam, do motivo pelo qual ela sofre tanto agora. Dá uma agonia tão grande vê-la ligando para ele, achando que ele sumiu por causa dela! Ah se ela soubesse tudo o que ele tem passado!

Entrando na zona dos plots que não interessam, Jason e Andy encontraram o carro abandonado de Debbie, que certamente levará os dois a fazerem perguntas e a chegarem à Sookie. Alcide, por sua vez, recusou um primoroso banquete de sua matilha, jogando para a merda as tais leis que deveria seguir. Quando ele disse para a mãe de Marcus para que encontrassem um novo líder, imaginei que algum lobo ia avançar nele e matá-lo, já que o "requisito" para comandar uma alcateia é matar quem estiver no poder. Vamos ver se alguém ainda não tenta fazer isso.

Já Luna enlouqueceu depois da visita da ex-sogra e mandou Sam para o raio que o parta (para não dizer outra coisa). Vai entender porque a mulher resolveu agir daquele jeito com ele, sendo que o homem tinha acabado de levar uma surra por estar envolvido na vida bagunçada dela. Para completar, ela pagou língua rapidinho. Minutos depois do esquete básico, Emma se transforma em lobo. Puta ironia do destino, Luna.

Mas True Blood não cansa e insiste com a trama de Terry. Aparentemente, "Eller", um coleguinha de guerra que é psicopata, não morreu coisa nenhuma e está brincando de assar as casas de seus antigos companheiros. Agora Terry e Patrick vão sair para encontrar o tal "amigo" e acabar com a tensão que está fazendo até Arlene de vítima...

E como nem só de encheção de linguiça é feita TB, eis que Jessica e Newlin nos dão um dos melhores momentos do episódio. O que foi aquilo do reverendo não conseguir controlar suas presas? Como eu ri da situação, de Jessica descrevendo os atributos de Jason só para provocar o bebê vampiro, que achava que 10 ou 20 mil dólares ia comprar o maior garanhão e destruidor de lares de Bon Temps... O bom foi ver Jessica dizendo que não vende amigos, quando a gente bem sabe que de amigos aqueles dois não tem nada. Outra coisa a notar sobre Newlin é que agora ele é uma "estrela" em defesa dos vampiros, indo na TV com a grã-finitude de sua cara safada, e sendo reconhecido em festas que vai sem ser convidado. Mas isso nem é o melhor. Ele assume ser vampiro em rede nacional, e tenta esconder a evidente homossexualidade. Ai ai.

Não podemos terminar esta review sem comentar da safadeza de True Blood arrumando presas para "Deus". No 4x02, "You Smell Like Dinner", eles colocaram o químico Louis Pasteur como vampiro e também envolvido na criação do True Blood. Agora, enfiaram Deus na história, mais um Testamento que veio antes do Velho e do Novo, mais Lilith que foi criada antes de Adão e Eva, e por aí vai. Para a mitologia da série tudo isso é uma beleza, visto que TB anda mal das pernas e precisa mesmo de coisas novas na sua bagagem. O "talvez isso foi meio exagerado" fica por conta de terem ido tão longe e com tanta sede ao pote, e tudo num só episódio. Take it easy, True Blood.


Observações:

- Ginger está de volta e com força total nas roupas mais badaladas do mundo fashion. E tudo fica ainda mais perfeito quando se tem uma patroa como Pam.

- Na loja que Sookie foi comprar o "disparador de prata coloidal" tinha camisetas de Russel como "Public Enemy #1" e de Newlin com a cara "eliminada" no que antes era uma estampa dele combatendo os temíveis vampiros...

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- SIM, Salome, a personagem de Valentina Cervi, que torturou Eric, é aquela que pediu para Herodes a cabeça de João Batista numa bandeja. Dá para notar também que ela parece ter sofrido mais que os outros por causa de Nora, sem contar que ela adora ficar tocando em Roman (Christopher Meloni).

- Temos que destacar a ótima participação de Christopher Heyerdahl como o chanceler Dieter Braun, que interrogou Bill. Não dá para esquecê-lo depois de seu peculiar "The Swede" em Hell on Wheels.

True Quote:

Salome: Eu temo que o Sr. Compton não tem a sua coragem. Ele foi solto. E em troca da colaboração dele,  ele voltará a ser rei. Ciente disso, gostaria de dizer algo?
Eric: Vida longa ao rei.
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