Quando Dexter deixou de ser Dexter



Não pode-se dizer que a 6ª temporada de Dexter foi uma imensa porcaria.

O sexto ano da série veio com tudo. Com uma trama polêmica e envolvente, a temporada chegou empolgando a todos. O ritmo imposto nos primeiros episódios chegou a ser alucinante. Reviravoltas importantes - em relação a temporada passada - deram a série um tom de redenção, instigando-nos à acompanhá-la, com intuito e esperança de que os velhos tempos de Dexter - um serial killer fazendo justiça com as próprias mãos, com quem nos apaixonamos - voltassem. 

A temporada manteve uma trama principal interessantíssima, sustentada por sub-tramas igualmente importantes. O assassino do apocalipse veio para ser marcado como um dos principais vilões da série, porém,... tudo veio por água abaixo.


Se a temporada fosse dividida em duas partes - tal como fez The Walking Dead - Dexter entraria facilmente na lista das 10 melhores séries do ano de todos, possivelmente, em primeiro lugar. Até o sexto episódio - morte do irmão Sam - a temporada manteve-se em um nível altíssimo pelo que propunha. O sétimo episódio foi sensacional - com referências diretas à saudosos assuntos de temporadas passadas. O inserimento de seu irmão - Ice Truck Killer - como mais um "fantasma" da série, trouxe um plot promissor, assunto recorrente em nossas vidas. É o chamado "Anjo x Demônio". É o que todos nós temos em nossas mentes. Sempre tem um anjinho e um diabinho soprando em nossas orelhas. O bem contra o mal. O certo contra o errado. Infelizmente, o novo plot marcou apenas esse episódio. Infelizmente porque daí em diante, a temporada mergulhou em um buraco profundo.

A trama principal já não era mais interessante. Com uma resolução precoce, jogada escancaradamente em nossa cara, restou-nos acompanhar a incessante e monótona cassada de Dexter a Travis. A trama caiu em obviedade, desestimulando-nos integralmente. As promissoras sub-tramas até então, não sustentara mais. Masuka foi uma lástima, praticamente figurante. Seu estagiário chegou a ser intrigante, mas sua inserção não levou a nada. O ótimo personagem Batista sobrou no meio de toda essa bagunça, acompanhado pelo péssimo personagem, Quinn, que já deveria ter morrido a séculos, e quando achávamos que não poderia piorar mais, ...


Deb apaixonando-se por Dexter. Foi a sub-trama mais estúpida, nojenta e inadmissível que a série mostrou nesses seis anos. Nada a ver. Nunca teve nada a ver. Isso não vai levar a série a lugar algum, ou melhor, vai levá-la para o buraco. Os roteiristas inseriram esse plot para dar sustentabilidade à trama principal, servindo de gancho para o cliffhaner final. Foi um tiro no pé. Foi quase uma ofensa. 

Não vale nem a pena comentar os furos e inconsistências de roteiro - Dexter sendo esperado em uma cena de crime? - Escreveria um livro mencionando o que Dexter foi e o que Dexter foi transformado. Um personagem perspicaz e detalhista, transformado em um completo idiota. Dexter ligando da cena de um crime de seu próprio celular? Esse não é o Dexter que conhecemos.

A temporada terminou com um ótimo cliffhanger. Pelo menos temos que dar crédito a ousadia imposta, porém, com uma temporada (no mínimo) de atraso. O fato é que as esperanças se renovam. Fã de Dexter, sempre serei, mas não vou compactuar como a decadência que os roteiristas estão impondo à série. As duas próximas temporadas servirão provavelmente para dar fechamento a série. Um misto de ansiedade e temor paira no ar, pois, apesar da premissa da série ser sustentável, parece que os roteiristas estão fazendo de tudo para jogar no lixo essa, que já foi uma das melhores séries da atualidade.

Fora Manny Coto!

PS: Estava devendo um texto sobre a 6ª temporada de Dexter. Pra quem pediu, taí. Não deixem de comentar!
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