Person of Interest: 1x12/13 - "Legacy"/"Root Cause"

 
A qualidade dos episódios de Person of Interest sobe a cada semana e vai fazendo com que a série fique cada vez mais interessante, intrigante e, o mais importante, sólida. Hora de J.J Abrams pedir aos seus roteiristas de Person para darem umas dicas para seus outros roteiristas em Alcatraz? 

Em "Legacy", o caso da semana foi mais uma vez interessante, com Reese e Finch protegendo uma advogada que, por ter recebido uma segunda chance após ter cometido delitos em sua adolescência, passou a defender ex-condenados por acreditar que todos mereciam receber a mesma oportunidade que a ela foi dada. Contudo, mais uma vez o caso foi apenas o meio utilizado pelos roteiristas para desenvolver as relações e tramas dos personagens principais, com muita coisa acontecendo no plano de fundo. 

Logo de cara Legacy finalmente nos trouxe aquilo que desejávamos que acontecesse desde os primeiros episódios da série, mas que eu sinceramente achava que demoraria mais tempo para ocorrer: Carter trabalhando com Reese e Finch. É verdade que a personalidade de Carter fazia parecer que seria bem mais difícil para Reese e Finch convencê-la a aceitar que algumas regras sejam quebradas para atingir o bem maior, porém o desenrolar dos acontecimentos dos últimos episódios, aliado ao diálogo de Reese e Carter no início deste (quando Reese diz a ela que ela teria que escolher entre salvar uma vida ou seguir as regras), tornou tudo bastante verossímel. 

Além disso, ao longo de todo episódio o conflito de Carter com si própria e sua preocupação com as consequencias dos atos de Reese foi constantemente abordado, mostrando uma preocupação dos roteristas em manter a personalidade da detetive intacta. E então neste ponto surge uma dúvida interessante: até onde ou até quando Carter conseguirá chegar flertando com quebra de regras? Será que em algum ponto ela irá divergir de Reese a ponto de não ajudá-lo mais? E o que será que acontecerá quando ela descobrir que Reese também trabalha com Lionel, mas que ele não é um policial dos mais honestos? 

E o mesmo vale para Lionel. O que será que ele irá pensar quando souber que Reese e Finch agora possuem a ajuda de uma detetive que, ao contrário dele, é honesta? Irá ele sentir-se ameaçado e, por medo ou raiva, voltar-se contra os dois (e Carter)? Nesse ponto eu concordo com Finch e, por mais que Reese tenha dito a ele que Carter e Fusco são dois "ativos" (assets) que, para segurança deles próprios, não devem ter conhecimento um sobre o outro, creio que isso é bastante arriscado e deverá futuramente vir a causar alguns problemas bem complicadinhos a eles.
 
Isso sem falar no fato de Reese agora ter colocado Fusco na cola de Finch. John não consegue se segurar e quer de qualquer maneira descobrir quem é Finch, o que ele faz, como a máquina trabalha, enfim, informações que podem vir a colocar o futuro de Finch, de Reese e da máquina em risco, afinal, como já nos foi mostrado no episódio anterior, a morte do amigo de Finch (e provavelmente seus problemas de coluna) foi desenhada quando Harold contou à Nathan como a máquina funcionava. 

E como se tudo isso não bastasse para complicar a trama, ainda tivemos em Legacy a introdução de um novo personagem: o filho de Nathan Ingram, Will, que parece que se tornará mais uma pedra no sapato de Finch, tentando descobrir mais sobre seu pai e consequentemente sobre o que a empresa dele fazia. E ele já começou a dar trabalho, perguntando ao seu "Tio Harold" se ele sabia porque o pai fechou a empresa por 7 anos para desenvolver algo que vendeu ao governo por um dólar. E agora, Finch? Quanto tempo para ele descobrir que era você e não o pai que estava por trás dos negócios? Quanto tempo para descobrir sobre a máquina?

Bom, teremos que esperar um pouco mais para responder a essas perguntas, uma vez que o excelente "Root Cause" não abordou esses assuntos, porém trouxe mais complicações (e mais mistérios) à trama.

Confesso que no início do episódio pensei que desta vez os roteiristas iriam nos deixar um pouquinho na mão e nos entregar apenas um caso da semana sem maiores consequencias, porém fui gratamente surpreendido por um episódio cheio de novidades e situações inesperadas.

A idéia de introduzir um personagem misterioso que tenha a capacidade de enfrentar Finch em seu universo virtual é excepcional. Realmente era tudo muito fácil quando Finch controlava a tudo e a todos, possuindo todas as informações. Ele parecia invencível e sempre um passo a frente dos demais, inclusive de Reese.    
 

Agora não. Finch tem uma arqui-inimiga! Alguém que está inclusive um passo a sua frente, que o obrigou até mesmo a largar seu equipamento e ficar pelo menos por um tempo sem um "escritório". Muito bom, muito bom mesmo! E ainda que eu tenha uma grande desconfiança de que a arqui-inimiga de Finch é a ex-chefe de Reese (Stanton, que apareceu no episódio 1x08 - "Foe"), o interessante mesmo nem é não saber quem é ela, mas sim a ameaça que ela oferece a Finch e, consequentemente, a Reese e à máquina.


Contudo, além da "arqui-inimiga" de Finch, "Root Cause" ainda trouxe um ótimo caso da semana, com Reese e Finch tendo muito trabalho para limpar o nome do desempregado Scott Powell, a ponto de precisarem pedir a ajuda de uma "velha amiga", Zoe Morgan (a "Reese feminina" do episódio 1x06 - "The Fix").

A volta de Zoe mostra que Person pretende (sabiamente) aproveitar aos poucos alguns personagens que  apareceram bem  na série anteriormente e transformá-los em recorrentes. Desta forma, podemos esperar não só vermos Zoe novamente em outros episódios, mas também com certeza  teremos a volta de Elias e muito provavelmente também a de Stanton. 


Ponto para os produtores, que cada vez mais transformam Person em uma das melhores séries iniciantes e que vai se consolidando com uma grande audiência, garantindo (para delírio dos fãs de Lost) as atuações sempre primorosas de Michael Emerson por bastante tempo!

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