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Balanço: The Kennedys


Por: Tobias (@onlytobias

“Os Kennedys não choram”.

Brilhante. Sem mais adjetivos para descrever esta ousada produção.

No início, toda aquela indecisão sobre qual canal exibiria a minissérie, o History Channel, que encomendou a obra, alegou que havia muito de ficcional, o que não condizia com seu estilo de programação; mas na verdade todos sabemos que a desistência foi muito mais por pressão da própria família Kennedy, que fez de tudo para impedir a exibição da mesma. A obra acabou indo parar no desconhecido Reelz Channel. Um grande achado para a pequena emissora.

Mas por que a família Kennedy tentou impedir que a produção fosse ao ar? Simples, JFK, um ser extremamente representativo para os norte-americanos foi mostrado como um humano comum, manipulável, sem personalidade própria, moldado muito mais pela opinião do pai do que pela própria e que era adúltero. Um balde d’água fria naqueles que o viam como o todo-poderoso Presidente Kennedy.

Desde a campanha para a eleição presidencial, vimos que o pai, Joe sempre ditou o rumo da vida de seus filhos. Jack Kennedy, na verdade, nem era para ter se candidatado ao senado e à presidência, mas a morte de seu irmão fez com que os planos do pai mudassem.

Não sei se intencionalmente ou não, a minissérie deixou algumas coisas no ar; o suicido de Marilyn Monroe foi devido a rejeição do então presidente? A família Kennedy esteve intimamente ligada à máfia e, somente com a ajuda dela venceu as eleições? A produção também deixou algo muito forte no ar: teria sido o então vice-presidente Lyndon Johnson feito parte da conspiração para os assassinatos de JFK e seu irmão Bobby?

De algumas coisas eu senti falta, confesso que ansiava pela dramatização do momento histórico em que Marilyn Monroe cantou “Happy Birthday Mr. President” ao chefe da nação norte-americana, na época, isso gerou um tremendo alvoroço, porque praticamente confirmava os boatos de que os dois estavam tendo um caso. Talvez por uma questão de bom gosto, também não foram utilizadas as imagens da execução do então presidente. O velório de JFK ficou um pouco de lado. Praticamente nada foi mostrado. Obviamente esse momento dependeria muito de uma capacidade interpretativa de Katie Holmes, já que ela, como esposa do presidente, teria que carregar esse momento nas costas. Talvez tenha até sido um acerto, já que a atuação da Senhora Tom Cruise não foi lá essas coisas. Extremamente robótica e apática, diferentemente dos registros que se tem da verdadeira Jackie Kennedy, que sempre foi muito simpática e adorada por todos.

Mas para compensar a atuação de Katie Holmes, o restante do elenco surpreendeu, e conseguiu atingir um nível de interpretação excelente. Dando o tom certo aos personagens e nos tocando profundamente com suas atuações. Greg Kinnear e Barry Pepper, respectivamente, John e Robert (Bobby) Kennedy foram excepcionalmente bem, mas foi Tom Wilkinson, Joseph Kennedy, que roubou a cena. Numa atuação brilhante, magistral, nos cativou com seu personagem que tinha tudo para ser detestável. Diana Hardcastle, que fez Rose Kennedy também se saiu muito bem, interpretando uma mulher que parecia indiferente, mas por dentro era corrida, e viu na doença do esposo uma oportunidade de fazê-lo ver o quanto ela sofria vendo suas traições descaradas.

Outro destaque muito positivo foi a combinação de flashbacks, imagens de arquivo e as gravações em si. Por exemplo, não houve nenhum interprete do ditador cubano Fidel Castro, os momentos em que ele aparecia, eram imagens reais. Quanto aos flashbacks, The Kennedys conseguiu algo que muitas produções tentam mas não conseguem: utilizá-los sem deixar o espectador confuso. Esse é um grande mérito da obra, já que foram muitos os momentos em que voltávamos ao passado, mas em nenhum momento deixamos de compreender o desenrolar da história.

Consideração final: excepcional. Se você ainda não viu, não perca mais tempo, são apenas oito episódios, mas que valem muito à pena. Você poderá acompanhar a verdade nua e crua de uma das famílias mais mitificadas da história da América.

P.S: Desculpem a demora pela postagem deste texto. Minha rotina está uma loucura, mas vamos levando aos poucos.

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